19 de Abril de 2018

OBRAS de esgoto do Campeche param de novo e sistema só deve operar após 2020

 Em meio à juntada dos cacos após devastadora temporada em que afloraram esgotos por todos os lados, sem que isso iniba sua expansão vertiginosa, o Campeche acaba de levar literalmente mais um tapa na cara. Por falta de repasse de recursos à empreiteira, as incipientes obras da futura estação de saneamento do Rio Tavares – equipamento crucial para operação da rede inacabada de tubulações que dormita há quase 10 anos no subsolo – foram novamente interrompidas.
“A empresa (Infracon-MG) montou o canteiro de obras, cravou estacas, mas ficou 90 dias sem receber e parou tudo”, informou o gerente de Construção da Casan, Fábio Krieger. “Isso é natural, ninguém trabalha de graça; por lei, eles podem até rescindir o contrato. Os recursos, conforme ele, advém do Ministério das Cidades, por meio de convênio, cuja renovação ainda não foi sancionada.
Com isso, a entrada em operação da nova rede do Campeche – cujo alcance é ainda assim bastante restrito – que se projetava para o primeiro semestre de 2020, agora pode ficar para o distante 2021, impondo pelo menos mais duas temporadas sob as desastrosas condições atuais. Etapa mais complexa da rede em implantação desde 2008, que abarca ainda oito estações elevatórias e 55 quilômetros de tubulações, a obra da estação leva pelo menos 24 meses para ficar pronta após seu início efetivo.
O custo do equipamento, projetado para tratamento de esgoto em nível terciário (redução extrema de resquícios orgânicos e químicos) é de R$ 34 milhões. Diante da instabilidade política e econômica, e sucessivas alterações no próprio Ministério das Cidades, as perspectivas não são muito animadoras. “Estamos esperando pela aprovação da renovação do convênio”, assinalou.
Outra alternativa seria a realocação de recursos internos da própria Casan, agora sob novo comando, para garantir o andamento das obras até equacionar o imbróglio. Essa solução, no entanto, também é vista como improvável, embora a empresa não se furte de alocar recursos para projetos polêmicos, como a recente recuperação de balneabilidade da orla da Beira Mar Norte. A se estender o imbróglio, talvez o melhor seja se preparar para pegar um banho de mar entre a restaurada(?) ponte Hercílio Luz e a Ponta do Coral, antes que fique restrita a celebridades. (Foto: Divulgação/Arquivo/JC)