10 de setembro de 2018

‘CAMPO da Aviação’ tem histórico de uso público desde os anos 40

Popularmente conhecido como ‘campo da aviação”, “campo de pouso’, ‘antigo aeroporto’ ou ainda ‘campo da Base’ – a instituição militar teria a guarda legal da área desde meados dos anos 70 – a ampla e cobiçada área com originalmente 352 mil metros quadrados situada no coração do Campeche tem um histórico de uso comunitário desde antes da década de 40 do século passado, quando teve definitivamente desativada a sua função aeroportuária, que teria perdurado por mais de 25 anos.
Autor do livro “Campeche Um Lugar no Sul da Ilha”, o professor e historiador nativo Hugo Adriano Daniel, neto de Francisco Alexandrino Daniel, o Seu Chico do Bar do Chico, sustenta que a partir de 1939, logo após a saída da aviação francesa do local – convocada para a Segunda Guerra Mundial, onde viria a morrer o lendário piloto Saint Exupéry – a área passou a ser livremente utilizada pela comunidade local, para o plantio de mandioca, criação de gado e prática do futebol.
“Mesmo antes disso, a comunidade já usava a área, porque naquela época o seu uso era muito espaçado; às vezes, o intervalo entre um pouso e outro era de seis meses e até um ano”, comentou. Além dos correios franceses, que utilizavam o local como ponto intermediário nas rotas para Argentina e Chile, também teriam pousado no local durante pelo menos seis anos os aviões da extinta Panam, igualmente a intervalos longos.
Com a saída da aviação francesa, houve um hiato na posse da área, resolvido em 1945 com decreto de desapropriação assinado pelo ex-presidente Getúlio Vargas, declarando-a como propriedade da União. A partir de então o uso comunitário do local ganhou ainda mais intensidade. Além do time de futebol do Clube Unidos, que desde 1945 tem sede e joga na área do campo, outros clubes hoje extintos também passaram pelo local, como Pingo de Ouro e Apolo8 (que teria dado origem a atual Sociedade Amigos do Campeche-SAC).
Além da prática esportiva, a área também é utilizada para a realização de eventos ecológicos, culturais, artísticos e comunitários em geral, além de abrigar uma horta comunitária modelo no município. O ex-presidente da Amocam, Ataíde Silva, alega que o próprio motivo que levou a União a ceder a guarda da área à Base Aérea não se justifica mais. “A área foi cedida para exercícios militares, atividade que não é mais possível, porque o Campeche saiu da condição de área rural para urbana”, afirma o bancário aposentado. Ele ressalta ainda que o parque só se justifica abarcando toda a área, pelo seu inestimável valor histórico, de alcance universal, e por ainda conter ruínas do período aeroportuário, justamente na área sob guarda militar. (Foto: Divulgação/JC)