Angelo Poletto Mendes/Redação JC
O jornalismo de Florianópolis perdeu em janeiro talvez o seu mais importante representante, com a morte inesperada e prematura do colunista, apresentador de televisão e ativista cultural Aldírio Simões de Jesus, morto tragicamente, aos 62 anos, em sua residência de veraneio na Praia do Sonho, em Palhoça. Dono de prestigiada coluna diária no suplemento AN Capital, do jornal joinvillense A Notícia, apresentador do bem-humorado programa Fala Mané, na SCC TV (retransmissora do SBT), criador do Troféu Manezinho da Ilha (voltado a premiar personalidades identificadas com o ‘espírito ilhéu’) e um dos maiores incentivadores do Carnaval de rua na Ilha de Santa Catarina, Simões deixa uma lacuna incomensurável no jornalismo e na cultura de Santa Catarina.
Defensor intransigente das tradições ilhoas e crítico contumaz do colonialismo cultural imposto a Florianópolis pelos ‘estrangeiros’, era dono de um texto muito particular e diferenciado, impregnado de um humor contagiante, que traduzia com eficácia incomum os costumes do povo florianopolitano em sua coluna de notas curtas e também em crônicas. Seu legado é comparado ao do historiador Franklin Cascaes, embora ele próprio costumasse rejeitar essa comparação, alegando que Cascaes teria um trabalho de pesquisa mais profundo. “Aldírio era um dos maiores conhecedores da alma de Florianópolis, com certeza o mais legítimo manezinho da Ilha”, sintetizou o diretor corporativo do jornal joinvillense A Notícia, Apolinário Ternes.
