Não é o muro construído por Israel para segregar a população palestina e muito menos o extinto muro de Berlim, mas está causando muita preocupação à população da região do Rio Tavares, no Sul da Ilha. Trata-se de uma verdadeira muralha, com 13 metros de altura em sua parte mais alta, que está sendo construído à margens da rodovia Antonio Luiz Moura Gonzaga (Rodovia SC-406) para contenção do acesso a uma residência construída nos altos do morro. Em fevereiro, moradores promoveram abaixo-assinado protestando contra a edificação, que seria encaminhado à Câmara de Vereadores da capital. O engenheiro-agrônomo Edson Silva, professor da UFSC, alega que a obra possui irregularidades técnicas, como a ausência de gateiras para o escoamento das águas e de vigas de sustentação, o que poderia provocar o seu desabamento. O mestre de obras João Cabral, responsável pela obra, garante no entanto que a edificação cumpre todos os requisitos técnicos. Segundo ele, o muro possui fundações com profundidade média de dois metros, chegando a três metros na parte mais alta, além de mãos-francesas em concreto de 4,2 metros de largura, a cada três metros, que passam sob a rampa. O muro possuiria um sistema de drenagem com gateiras não aparentes e caixas de quatro metros quadrados de boca, com três de profundidade, que aliviam a pressão das águas. “O muro possui ainda inclinação de 7% para dentro. Não existe risco de desabamento, só a sensação”, garante Cabral.
19 de março de 2004
