Quem viaja para regiões de grandes fazendas de criação de gado costuma cruzar com caminhões chamados ‘boiadeiros”. São veículos usados para o transporte de gado. Para o conforto do gado, é feito dimensionamento e transportado somente o número de cabeças (de gado e não de humanos) que a lógica e o bom senso permitem. O gado viaja de forma a não se estressar, pois ao chegar aos matadouros é recomendável que a dosagem de adrenalina esteja em índices aceitáveis pelas organizações internacionais, compradoras de nossa carne (do gado!). Por que tudo isso? É por que o gado aqui citado recebe um tratamento mais digno que os usuários do nosso transporte coletivo. Basta acompanhar o que acontece desde as primeiras horas da manhã, quando em determinados pontos os passageiros simplesmente são ignorados como se fossem invisíveis. Os que conseguem embarcar, são submetidos a verdadeiras aulas de malabarismo (o gado viaja acomodado em compartimentos individuais adequados ao seu tamanho) para poder chegar ao primeiro destino, os “TDGFETECF” (Terminais de Desintegração e Grandes Fabricantes de Estudantes e Trabalhadores Estressados da Cidade de Florianópolis) e daí, em uma segunda maratona, seguir até seu destino final. A sátira é oportuna, pois todos os dias os fatos citados se repetem. Quando é que o Núcleo de Transportes vai realmente fiscalizar? Quando é que as empresas vão levar a sério os humanos que usam seus “ônibois?” (perdão pelo neologismo, estava pensando no gado, mas estes não têm ar-condicionado). Onde estão o Ministério Publico e a Comissão de Viação e Obras da Câmara de Vereadores? Como dizia o poeta “ vida de gado, povo marcado, povo feliz “
12 de abril de 2004
