Angelo Poletto Mendes/Redação JC
Especialistas franceses acabam de assegurar que os destroços de uma aeronave encontrados em um rio na cidade francesa de Marselha há quatro anos correspondem, de fato, ao aparelho pilotado pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”, quando este desapareceu, em 31 de julho de 1944. O escritor, que à época era aviador da Aeronáutica francesa, foi dado como desaparecido durante uma missão de reconhecimento, em 31 de julho de 1944, quando sobrevoava solo francês.
Os restos de um bimotor Lightning P38, localizados na primavera de 2000 por um mergulhador de Marselha no leito do rio Riou, foram erguidos até a superfície em outubro passado e examinados por especialistas. O avião P38 de Saint-Exupéry teria sido identificado graças à inscrição “2734 L”, gravada pelo construtor sobre uma peça da aeronave. Esse número “civil” corresponderia ao número de matrícula militar de Saint-Exupéry, explicaram os especialistas do Departamento de Pesquisas Arqueológicas Subaquáticas e Submarinas da França.
Os restos do avião, encontrados a 80 metros de profundidade, perto da costa de Marselha, correspondem ao avião que partiu da Córsega em 31 de julho de 1944 com o comandante Saint-Exupéry, encarregado de uma missão de reconhecimento no sudeste da França, duas semanas antes do desembarque na Provença. A determinação dos especialistas põe fim à polêmica suscitada seis anos atrás pela descoberta de uma pulseira com o nome do escritor, encontrada por um pescador marselhês em suas redes. Na pulseira de prata estavam gravados, também, o nome da mulher do escritor, Consuelo, e o nome e endereço de seu editor nova-iorquino, que publicou a primeira versão de “O Pequeno Príncipe” em inglês.
Na época, os especialistas receberam a descoberta com ceticismo, já que nenhuma joia constava na lista de itens pessoais que o piloto levava consigo no dia em que desapareceu. A única questão que continua sem resposta é a razão pela qual o avião caiu no mar. O prefeito de Marselha, Jean-Claude Gaudin, anunciou que os museus da cidade estão dispostos a receber os restos do avião do escritor francês, “para render homenagem ao escritor e ao homem Saint-Exupéry”. “O Pequeno Príncipe” é visto como uma história clássica de amor e solidão. Saint-Exupéry morreu um ano depois de o livro ser lançado.
Nascido em 1900 numa família francesa aristocrática, o escritor tentou várias vezes estudar artes liberais, antes de decidir tornar-se piloto. Já adulto, sua paixão por voar inspirou o livro “Vôo Noturno”, e em 1943, “O Pequeno Príncipe”, um dos maiores best-sellers de todos os tempos, sobre um piloto cujo avião cai no Saara e que encontra um príncipe misterioso com quem empreende uma viagem interplanetária.
O ex-piloto e escritor francês Saint Exupéry é até hoje muito cultuado no Campeche, graças às escalas que fazia no campo de pouso local, nos anos 20, durante suas viagens pela América Latina como piloto dos correios aéreos franceses. A mais expressiva até hoje é a denominação de Avenida Pequeno Príncipe à principal via do bairro. Durante suas estadias na localidade, contam os mais antigos, o piloto teria travado contato e até feito amizade com alguns pescadores locais, ganhando o carinhoso apelido de “Zé Perri”, contração muito própria de seu nome dada pelos nativos, devido às dificuldades linguísticas.
