17 de maio de 2004

Safra da tainha anima pescadores do Sul da Ilha

Apesar de alguns prognósticos pessimistas lançados por pesquisadores e alguns dirigentes da indústria pesqueira, os pescadores do Campeche e Sul da Ilha acreditam que a safra da tainha deste ano, que começou no dia 1o de maio e prossegue até 15 de julho, pode repetir o desempenho da safra passada, considerada uma das mais fartas dos 10 últimos anos. Em Naufragados, no extremo sul da Ilha, foi registrado em maio do ano passado um lance histórico, com a captura de nada menos do que 34 toneladas de tainha. Segundo o presidente da Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche, Getúlio Manoel Inácio, as chuvas intensas que atingiram a capital na primeira semana de maio, seguidas de declínio da temperatura, contribuem para o otimismo. “A chuva e o frio fizeram com que as marés crescessem, provocando o início do deslocamento dos cardumes da Lagoa dos Patos (RS) em direção ao nosso litoral”, comentou. “No início de maio já houve alguns lances em Garopaba, Imbituba e Pinheira”, acrescentou. Dono de uma das duas redes que atuam no Campeche, Inácio conta que neste ano inclusive providenciou a confecção de uma nova rede de pesca, com 400 braças de comprimento (cerca de 650 a 700 metros) para substituir a anterior, avariada pelo tempo de pescaria. No ano passado, conta ele, em sua rede foram capturadas seis mil tainhas, correspondente a cerca de 8,5 toneladas. Embora a safra tenha início no começo de maio, conforme Inácio, o “bicho pega” mesmo é a partir da segunda quinzena do mês. “Cerca de seis a sete vigias já estão a postos, do amanhecer até o pôr do sol, para detectar os cardumes”, contou. Segundo ele, o acordo com os surfistas, que restringe a prática do esporte durante a temporada da tainha, também está de pé novamente. “Queremos contar com o apoio dos surfistas e inclusive tê-los conosco no arrastão”, assinalou. (Ao lado, reprodução de foto de Edu Lyra)