16 de julho de 2004

Ângela alega motivação política nas manifestações

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

A prefeita Ângela Amin (PP) acredita que a onda de protestos que varreu a cidade durante quase duas semanas contra o reajuste das tarifas de ônibus não foi espontânea, mas um movimento articulado indiretamente por políticos interessados em enfraquecer sua administração e, consequentemente, prejudicar o candidato do seu partido nas eleições municipais de outubro, o ex-secretário de Transportes e Obras, Francisco de Assis Filho. A prefeita garante não ter dúvidas de que o movimento teve conotação político-partidária.
“São as mesmas pessoas que tentaram impedir o funcionamento do sistema em julho do ano passado, durante sua implantação, que instigaram as provocações e tumultos no ano passado”, declarou. “É sim um movimento político e politiqueiro. Alguns que já passaram pela Prefeitura e nada fizeram. Mandaram erguer um esqueleto no Saco dos Limões para dizer que estavam fazendo”, alfinetou a prefeita, em entrevista a um jornal local. “Não executaram nada, nem na hora das eleições . Quando assumimos, não achamos uma folha de papel escrita sobre o transporte integrado”, emendou Ângela. A prefeita fez questão de sempre enfatizar, durante todo o desenrolar das manifestações, que os reajustes autorizados pelo governo municipal não se constituíram num ato arbitrário, mas feitos com base numa auditoria técnica, acompanhada pelo Ministério Público, que apurou a necessidade da reposição.
Um dos coordenadores das manifestações, o estudante de história na Udesc, Marcelo Pomar, de 22 anos, rechaça as insinuações de que o movimento contra o aumento das tarifas tenha conotação política. “Se fosse um movimento único e exclusivamente de meia dúzia de pessoas com interesses político-partidários e eleitoreiros, não teria contagiado a cidade como contagiou, a ponto de envolver milhares de pessoas”, avaliou. “Criou transtornos, eu queria agradecer a paciência das pessoas de uma forma geral, mas também vi muito apoio, muita solidariedade”, acrescentou.
O estudante garante que a principal reinvindicação do movimento foi desde o início a redução das tarifas. “A reivindicação central do movimento era essa, não era o passe-livre e nem a CPI”, afirmou. O estudante considerou ainda como “uma vitória da democracia e do direito de reivindicar” o desfecho final das manifestações, que culminaram com a determinação judicial. Pomar lamentou, por fim, que a revogação dos reajustes tenha se dado por determinação judicial e não por iniciativa do governo municipal.