24 de agosto de 2004

Aterramento de canal acelera ritmo das obras

O impacto ambiental provocado pelo aterro para a execução das obras da Via Expressa Sul, uma das maiores obras de engenharia construídas nas últimas décadas em Florianópolis, já pode ser considerado como superado, garante a bióloga Lenir Alda do Rosário, especialista em aves, que lançou recentemente o livro “Um Outro Olhar da Via Expressa Sul”. Segundo ela, a recuperação pode ser detectada pelo retorno de diversas espécies de aves que praticamente tinham desaparecido do local após a etapa mais impactante da obra, que foi a execução do aterro hidráulico, abrangendo aproximadamente 1,3 milhão de metros quadrados. A presença dos pássaros, conforme a bióloga, é um indicativo do resgate da qualidade ambiental do local. A orla já se recuperou a tal ponto, garante Lenir, que hoje chega a apresentar semelhanças com o período que antecedeu a primeira grande intervenção no local, nos anos 50 e 60, para construção das rodovias Jorge Lacerda e Waldemar Vieira. Lenir atribui essa surpreendente rapidez de recuperação da vida no local à característica estuária da região, próxima do mangue do Rio Tavares e da influência dos ventos e das correntes marítimas, que deslocam os alimentos para as aves. Ornitóloga (especialista em aves) há 25 anos, Lenir define a área como uma espécie de spa para as aves, porque permite que elas vivam, se alimentem, construam seus ninhos e procriem no local. A bióloga aponta em sua obra a presença de 90 espécies diferentes de pássaros na região, sendo as garças e gaivotas as mais tradicionais. Não obstante, defende a conscientização da população para a preservação ambiental do local, visando a manutenção dessas espécies e até mesmo a atração de outras espécies de aves. Com ilustrações de Eduardo Parentoni Brettas, “Um Outro Olhar da Via Expressa Sul” possui 112 páginas e 92 espécies de aves retratadas. Dirigido para profissionais da área ambiental, pesquisadores, professores, alunos, visitantes e o público que apresenta identificação com a questão da conservação do patrimônio ambiental, o livro é uma produção independente, publicado com apoio da lei municipal de incentivo à cultura. Contatos com a autora pelo fone 333.6918 ou pelo e-mail: leniralda@uol.com.br. (Foto: Divulgação/NC)