O brilho nos olhos de Rafaela, de 7 anos, enquanto passeia a cavalo pelo espaço do Centro de Equoterapia Santa Maria, no Campeche, emociona os sócios do empreendimento, que completou recentemente dois anos de existência, e há um ano está instalado no Sul da Ilha. “É gratificante constatar a alegria que a equoterapia gera nos pacientes, especialmente no caso da Rafaela”, destaca o psicólogo Angelo Scarlassari Neto, que juntamente com o fisioterapeuta Leandro Fernandes e a pedagoga e equitadora Monique Gelbcke, compõe a equipe do inovador empreendimento terapêutico.
Portadora de paralisia cerebral, Rafaela pratica equoterapia há dois anos, com duas aulas semanais e, segundo o psicólogo, vem conseguindo ótimos resultados. “Embora tenha um cognitivo super-preservado, ela tinha dificuldades de postura e sustentação do tronco e, nesse período, percebemos uma grande melhora nesse sentido, permitindo ganhos importantes de auto-estima e nas AVDs (Atividades da Vida Diária)”, explica.
Prática que utiliza o cavalo como base terapêutica, a equoterapia foi introduzida no Brasil há 15 anos, mas só há cinco foi regulamentada oficialmente pelo Conselho Nacional de Medicina como prática terapêutica. Além de excelente para atender crianças e adultos com necessidades especiais, como Síndrome de Down e autismo, salienta Scarlassari, a atividade também pode ser empregada para portadores de acidente vascular cerebral e traumatismo crânio-encefálico, entre outros, ou mesmo para corrigir simples casos de timidez ou desvios de comportamento.
Antes de iniciar o trabalho com cada novo praticamente, informa o psicólogo, é feito um detalhado planejamento para atingir os resultados pretendidos. “Nos debruçamos sobre cada caso e muitas vezes estabelecemos contato até com as escolas formais, no caso das crianças, para avaliarmos a evolução e alcançarmos os melhores resultados”, comenta. Os três profissionais do Centro Santa Maria possuem curso da Associação Nacional de Equoterapia. Maiores informações: www.equoterapiaflorianopolis.cjb.net.
(Texto: Angelo Poletto Mendes. Foto: Divulgação/NC)
8 de novembro de 2004
