8 de novembro de 2004

Pesquisas comprovam benefícios da zooterapia

A medicina está aumentando suas apostas no papel que os animais podem ter além do convívio com os homens, enquanto as universidades abrem cada vez mais as portas para experiências visando comprovar a eficácia da zooterapia. A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) incluiu recentemente a disciplina de zooterapia no currículo dos alunos do segundo ano. “Faltam pesquisas na área, por isso vamos iniciar o curso. Os médicos ainda são muito céticos em relação a essa terapia. É preciso prová-la por meio de uma metodologia científica”, comenta a veterinária Maria de Fátima Martins, professora da USP. Na Universidade de Brasília, desde março, uma equipe de veterinários e médicos estuda os efeitos da terapia mediada por cães no tratamento de pacientes com mal de Alzheimer, doença degenerativa que causa a morte dos neurônios e que tem como sintoma inicial a perda da memória. Uma vez por semana, dois cães freqüentam o Centro de Referência para os Portadores da Doença de Alzheimer, onde os pacientes participam de sessões de fisioterapia e trabalham com a ajuda de neuropsicólogos e psiquiatras. Segundo o geriatra Renato Maia, coordenador do centro, os resultados são visíveis. O fato de os pacientes se lembrarem dos cães no início e no final da sessão, por exemplo, já é considerado um grande feito para quem tem esse tipo de doença. “À medida que são expostos, os pacientes apresentam uma recuperação imediata da memória. Lembram de fatos que nem sempre discutem com a psicóloga. Muitos deles também voltaram a falar, algo que não faziam mais.” O projeto da universidade já atendeu 32 pessoas. “Estamos agora computando os dados. A mudança no humor dos pacientes é evidente, mas queremos mais informações. No exterior, a terapia com animais em contato com crianças é mais desenvolvida. Já vi estudos que mostraram, por exemplo, como a zooterapia reduziu o consumo de analgésicos entre os pequenos pacientes de Oncologia. Com relação aos idosos, ainda falta muito”, diz o geriatra.