24 de janeiro de 2005

Amocam teme avalanche de nova edificações

A possibilidade de ocorrência de um verdadeiro “boom” imobiliário no Campeche e região preocupa os dirigentes comunitários e ambientalistas locais. O diretor de Meio-Ambiente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ubiratan de Matos Saldanha, teme que o surgimento de um grande número de edificações, especialmente prédios residenciais, comprometa ainda mais a já precária infra-estrutura e, por fim, ameace a própria qualidade de vida na região. “Nosso grande questionamento nesse momento é se a Fatma e Floram vão fazer valer a lei ou vão avalizar as eventuais agressões ao meio-ambiente”, observa. “Nossa esperança é que os órgãos fiscalizadores atuem de fato, exerçam efetivamente as funções para as quais foram criados”, acrescenta. O dirigente nega que exista algum tipo de preconceito contra o novo governo municipal, mas revela que o movimento comunitário já está se articulando para o eventual risco de “ uma onda de permissividade” nas liberações de novos loteamentos e construções prediais. “Pretendemos levar nossa preocupação acerca dessa situação ao Ministério Público para ver se poderemos contar com ele, que será, em última instância, nosso último recurso”, afirmou. “O que prevíamos há algum tempo pode vir a ocorrer, que é uma avalanche de Adins (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) em função de leis desrespeitadas, caso os órgãos ambientais se omitam”, completou. A presidente da Amocam, Maria Lúcia das Chagas, enumera uma série de fatores restritivos ao crescimento habitacional na região, entre eles a falta de rede de esgotos, a estrutura viária de pequeno porte composta por vias estreitas e a própria limitação de abastecimento de água. “Vamos tentar marcar uma audiência com o novo prefeito, já que no governo anterior nunca conseguimos, para expor nossa preocupação e pedir a ação consistente dos órgãos fiscalizadores”, afirmou.