Na primeira temporada após a liberação ao tráfego do último trecho da Via Expressa Sul, que agiliza o acesso ao Sul da Ilha, as praias da região vêm recebendo uma grande legião de turistas e veranistas. Ao contrário de anos anteriores, quando costumava lotar apenas nos finais de semana, neste ano a Praia do Campeche tem registrado movimento forte também durante a semana. Contribui para isso o forte calor que, na primeira quinzena deste mês, chegou a beirar os 40 graus centígrados O bom movimento de turistas que, segundo projeções da Santur deve crescer 10% em relação à temporada passada, no entanto, não vem se refletindo no desempenho do comércio e hotéis da região. O empresário Talmir Duarte da Silva, do Hotel e Pousada Natur Campeche, acredita que essa será uma das temporadas mais fracas dos últimos anos para a hotelaria local. Para ele, o principal motivo, além do fato de ser também uma das mais curtas dos últimos anos, já que o Carnaval termina no dia 8 de fevereiro, é, paradoxalmente, a recuperação da economia brasileira. “A reação da economia cortou as férias coletivas tradicionais de muitos trabalhadores da indústria, que são os que têm maior poder aquisitivo e frequentam hotéis e pousadas. Por causa disso, neste verão estamos recebendo visitantes de menor poder aquisitivo, que buscam outros meios de hospedagem”, avaliou. O comerciante Antônio Schmitz Neto, do Mercado Bem Vindo, confirma que depois de um bom final de ano, as vendas declinaram em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado. O empresário Paolo Mascheretti, da Pousada Vila Tamarindo, no Campeche, garante que seu otimismo com as perspectivas para a temporada foram por água abaixo após o desempenho do Reveillon. “Pela primeira vez em seis anos de existência, sobrou vaga em nossa pousada na virada do ano”, revela. Conforme ele, na primeira quinzena de janeiro, mês tradicionalmente de pico da temporada, quando a taxa média de ocupação em seu estabelecimento beirava os 95%, atualmente não ultrapassa 70%. A presidente da Associação das Pousadas de Florianópolis (Pousar), Gisela Fonseca, acredita que o principal motivo da fraca temporada para o setor decorre do grande número de ofertas de hospedagem, com a abertura de novas pousadas e hotéis, além da ampliação do número de imóveis para locação. A dirigente acredita que os já crônicos problemas de infra-estrutura da capital, como a falta de água e congestionamentos, também contribuíram para prejudicar o desempenho do setor. “A deficiência de infra-estrutura inibe os turistas mais exigentes “, pondera.
24 de janeiro de 2005
