Angelo Poletto Mendes/Redação JC
Depois de resistir por oito anos às tentativas da ex-prefeita Ângela Amin em tentar aprovar o projeto de plano diretor para a Planície Entremares elaborado pelo IPUF, a presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Maria Lúcia das Chagas, recebeu com estranheza a decisão do presidente da Câmara, Marcílio Ávila (sem partido), de tentar aprovar agora “a toque de caixa” o mesmo projeto, pouco mais de três meses após o início do governo municipal. “Admitimos a necessidade um plano diretor para a região, mas que precisa ser discutido com a comunidade”, defende.
E acrescentou: “Às vésperas das eleições, ele (Marcílio Ávila) esteve na minha casa na condição de candidato e, sem saber que eu era a presidente da Amocam, me disse que o plano diretor do Campeche precisaria ser zerado, porque o projeto do IPUF continha pontos ultrapassados”, relatou a dirigente. “Porque essa pressa agora em aprovar um plano já amplamente rejeitado pela comunidade, ainda mais que estamos recém no início de um novo governo?”, questiona a líder comunitária. A dirigente participou no dia 29 de março de reunião informal acerca do plano com o prefeito, alguns vereadores e técnicos do IPUF.
Lúcia lembra que a comunidade, com apoio de professores da UFSC, elaborou um projeto alternativo ao plano do IPUF, e defende que esse plano seja utilizado como efetivo ponto de partida para as discussões de um novo plano diretor para a região. “Estamos recém começando um novo governo municipal, porque essa pressa? Acho que a Câmara precisa ter humildade e dar uma chance à comunidade”, assinalou. A dirigente lembra ainda que o próprio Estatuto das Cidades, regulamentado em 2001, estabelece a obrigatoriedade de audiências públicas antes da votação dos planos diretores.
Segundo a presidente da Amocam, os principais pontos rejeitados pela comunidade no projeto do IPUF são a construção de grande avenidas e prédios habitacionais, projetando uma população de até 400 mil habitantes para a região. A própria Casan, de acordo com ela, teria estudos fixando em pouco mais de 50 mil pessoas o limite da capacidade de abastecimento de água potável na região. “Além disso, o lençol freático da região é bem superficial e facilmente contaminável”, salienta. A proposta básica da comunidade, conforme ela, é a preservação do atual sistema viário, com a ampliação e melhoria das estradas já existentes. (Foto Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
