Com uma missa celebrada pelo padre Aílton Rocha, realizada na manhã do dia 1º deste mês, em frente ao rancho dos pescadores, foi aberta oficialmente a temporada da tainha 2005 na Praia do Campeche. A cerimônia religiosa, que também homenageou os trabalhadores pelo seu dia, foi prestigiada pelo prefeito da capital, Dário Elias Berger, pela primeira-dama do município, Rose Berger, e contou ainda com a presença de dezenas de pessoas, entre pescadores, seus familiares e moradores da região. “Pedimos a Deus para que a safra da tainha seja abundante para garantir o sustento dos pescadores e suas famílias”, comentou o padre, que foi pároco da Paróquia da Lagoa durante cinco anos e há quatro desenvolve um trabalho de recuperação de dependentes químicos na Comunidade Terapêutica Bom Pastor, no Rio Tavares. O prefeito Dário Berger, ao final da missa, falou sobre a importância da tradição da pesca da tainha para a capital e elogiou o trabalho dos pescadores. O presidente da Associação dos Pescadores do Campeche, Aparício Inácio, ressaltou que foi a primeira vez que um prefeito prestigia a abertura da safra da tainha no Campeche. O pescador disse que está otimista em relação à safra deste ano. “Acreditamos que será uma safra melhor do que foi a do ano passado”, afirmou. Em 2004, conforme ele, a rede em que trabalha teria capturado em torno de cinco mil tainhas. “Isso, só nós, sem falar na rede do seu Chico”, explicou ele, referindo-se ao proprietário da outra rede que trabalha no Campeche. O otimismo, segundo o pescador, tem um motivo simples. “É que nesse ano os espinheiros deram flor”, revela ele, sobre uma espécie de árvore que existiria nas imediações da praia. “Os antigos marcavam por essa árvore, no ano que dava flor, dava peixe; no ano passado não deu flor e a safra não foi das melhores”, explicou o presidente da associação, que tem cerca de 40 associados. O pescador argumenta ainda que quando faz muito calor em abril, como ocorreu nesse ano, a tendência é de vir muito frio depois, o que favoreceria o deslocamento dos cardumes. Crenças à parte, Inácio conta que os pescadores também estão melhor preparados. “Demos uma melhorada, fizemos uma reforma no barco e na rede”, revelou. Conforme ele, a pesca da tainha costuma envolver diretamente cerca de 60 a 70 pessoas, somente nessa rede, “fora os agregados que ajudam a puxar a rede em troca de algum peixinho. Embora se estenda de 1º de maio a 15 de julho, Inácio salienta que o ponto alto da safra acontece entre 30 de maio e 20 de junho. “Nesse período é que se concentram os maiores cardumes, se não dá nessa época, geralmente a safra não dá muito peixe”, ensina o pescador. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
17 de maio de 2005
