17 de maio de 2005

Pescadores pedem restrição à ação dos atuneiros

Os pescadores artesanais do Campeche e de todo litoral catarinense estão pressionando o governo para que proíba os barcos atuneiros de trabalharem próximo às praias durante a safra da tainha, que se estende até o dia 15 de julho. O presidente da Federação da Pescadores de Santa Catarina, Ivo Silva, teria solicitando recentemente ao secretário especial de Aqüicultura e Pesca, o catarinense José Fritsch, a modificação de artigo de uma portaria original de 1985, renovada anualmente pelo Ibama, que permitiria a presença dos barcos atuneiros nas baías e enseadas onde acontece a pesca da tainha. Os atuneiros trabalham próximo às praias à procura de iscas vivas para a pesca do atum em alto mar e, todos anos, costumam entrar em conflito com os pescadores artesanais, revoltados com os prejuízos decorrentes de sua presença. “Estamos tentando mudar a portaria, para que os atuneiros fiquem longe da praia, porque eles afugentam os cardumes, acabam com a pesca”, comenta o presidente da Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche, Aparício Inácio. Dirigentes da Secretaria da Pesca prometem uma solução para o problema, buscando um acordo entre as partes. A proposta que ganha maior corpo é a de identificar as áreas que possuem maior volume de captura de tainhas, através de mapas, restringindo a presença dos atuneiros nessas regiões durante o período da safra. O presidente da federação, Ivo Silva, concorda com a proposta e considera que nas áreas onde a captura ocorre em menor volume poderia até se estabelecer horários diferenciados para as duas atividades. O presidente da Colônia de Pesca Z-33, no Balneário de Rincão, no sul catarinense, afirma que a safra da tainha poderia ser bem melhor se não fosse a ação dos grandes barcos pesqueiros. “Eles se aproximam demais da beira-mar, não respeitam os limites, e quem fica com o prejuízo é o pequeno pescador”, afirma. Apesar disso, o pescador garante que também está otimista com a safra deste ano.