22 de junho de 2005

Atividade vira opção de emprego para ex-carpinteiro

Os catadores geralmente são pessoas que trabalhavam em outra atividade e foram forçados a abandoná-la. Lindomar Longui, de 37 anos, morador da Tapera, foi carpinteiro durante 15 anos e chegou a participar da construção dos túneis da Via Expressa Sul. Perdeu o emprego e não conseguiu mais exercer a profissão depois de um acidente na coluna. “Até hoje não recebi indenização”, lamenta. Por conta disso, há um ano e meio passou a fazer coleta com uma carroça construída por ele mesmo. Ele atua no Campeche, Armação, Ribeirão da Ilha, Alto Ribeirão e Freguesia do Ribeirão até Caieira, das seis da manhã até final da tarde. Lindomar não nega que se tornou catador por falta de opção e que ainda espera conseguir algo melhor. O trabalho, garante, é difícil e o retorno tem sido pouco. Ele conta que já chegou a conseguir R$ 250,00 numa semana, mas o ganho caiu bastante nos últimos tempos. Lindomar atribui isso à queda no preço dos materiais e à forte concorrência, principalmente daqueles que usam vans e compram material para revender. Estima que existam 30 pessoas trabalhando com catação na região. “Vou dizer, tem horas que a gente desanima”. Queixa-se também de outros catadores que estragam sacos de lixo, invadem terrenos e prejudicam a imagem da profissão. Ainda assim, garante que consegue sustentar a família, incluindo dois filhos na escola. Vende seu material para um comprador da Tapera, onde, afirma, há dois compradores estabelecidos. Na maior parte do tempo, Lindomar faz o serviço sozinho, mas às vezes conta com a ajuda de um parente ou amigo, que recompensa com uma ajuda de custo. Uma das atividades econômicas que mais cedeu espaço para a catação foi a agricultura, com o crescente êxodo rural. Gentil Modesto da Cruz, embora já tenha seus 55 anos, ainda puxa sua carroça sete dias por semana pelas ruas Anita Garibaldi e Conselheiro Mafra, no centro da cidade. Diferente da maioria dos catadores, trabalha à noite. Ele já é um catador “antigo”, com nove anos de experiência, mas antes era agricultor na Vila Aparecida, em Coqueiros. “Não estava mais dando, pouco preço”. Ironicamente, agora ele também se queixa disso na atualidade. Seus nove filhos costumam ajudá-lo, mas Gentil faz questão de mantê-los na escola. “não quero que eles façam a mesma coisa”. Ele próprio não tem certeza de quer continuar fazendo isso com a situação atual. Está tirando uma média de R$ 300,00 mensais. (Foto Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)