O uso de material reciclado é uma atividade econômica crescente no País. Traz consigo a redução de custos com o reaproveitamento, cada vez mais importante para a competitividade da indústria. O Brasil ocupa o quarto lugar mundial na reciclagem de plástico, usando 16,5% do total produzido. Isso gera uma receita anual de R$ 1,3 bilhão e emprega 11.501 pessoas. A Região Sul, junto com a Sudeste, é que mais recicla, com 20%. Para isso, é fundamental a coleta seletiva, que ainda é deficiente. Em todo o Sul, apenas 193 contam com essa atividade em forma oficial, o que aumenta a dependência dos catadores. Isso traz também uma forte concorrência. Com a informalidade, os conflitos entre catadores que atuam na mesma área são inevitáveis. Há um número crescente de concorrentes que atuam com vans e compram o material reciclável dos moradores para revendê-lo depois, reduzindo a margem de ganho e dificultando a vida dos mais humildes. “Falamos com a SUSP (Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos), mas eles não tomaram nenhuma providência”, queixa-se o vice-presidente da Associação dos Coletores de Materiais Recicláveis da capital, Dorival Rodrigues dos Santos. Outro problema enfrentado na atualidade é a forte queda nos preços pagos pelo material reciclável. Uma lata de alumínio que era vendida por R$ 3,50, hoje em dia vale R$ 2,90. O quilo de ferro que valia R$ 0,20 agora está saindo por R$ 0,15. Dorival diz que isso ocorre por causa da vinculação do valor desses materiais ao dólar, que tem sofrido constante desvalorização em relação ao real. Também contribui a proliferação da atividade, que faz com que a competição pelos materiais seja cada vez maior. Embora tenha se tornado uma alternativa ao desemprego, trata-se de uma atividade de baixa remuneração. Dorival estima que a renda mensal média de um catador esteja atualmente entre os R$ 400, e 500,00, “e isso é conquistado com muito esforço, trabalhando até 15 horas por dia, sete dias por semana”. Apesar disso, o censo mostra que nada menos do 72,5% daqueles que trabalham com a atividade de catação residem em casa própria.
22 de junho de 2005
