22 de junho de 2005

Maioria vêm do interior catarinense

Os catadores que trabalham em Florianópolis, são, na maioria, ex-agricultores, principalmente do Oeste do Estado, expulsos do campo pela crescente mecanização. O censo realizado pela prefeitura em 2003 aponta que apenas 20% nasceram na capital. Do total, 32,3% vieram do Oeste. A falta de estudo e capacitação dificultaram procurar outras atividades, pois 60,5% estudaram somente até o primário. Embora sejam autônomos, vivem os problemas dos subempregados. O censo mostra que 87,7% não têm carteira assinada nem pagam a contribuição para o INSS. A renda média mensal (2003) da categoria é de R$ 469,00. O trabalho é duro. A pesquisa demonstra que 54,7% trabalham seis ou sete dias da semana e 34,6% de 10 a 16 horas por dia. Tudo isso para sustentar famílias às vezes numerosas, pois 42,7% vivem lares com quatro a seis pessoas. O uso do trabalho familiar e mesmo infantil está bastante presente. Dos catadores consultados, 88,4% usam a mão-de-obra de parentes. O que mais preocupa é que 5,4% têm idade inferior a 15 anos. Apenas 12,% do total recebem recursos do Bolsa-Escola. Apesar das dificuldades, alguns padrões mínimos foram conquistados. Segundo o censo, 72,5% contam com casa própria, mas ainda existe uma pequena presença de moradores de rua (0,7%). Alguns serviços públicos básicos chegam a quase todos: 91,3% têm energia elétrica e 90,6% contam com água tratada. Outros, no entanto, deixam a desejar: 31,3% não têm rede de esgoto e, ironicamente, considerando sua atividade, 10,6% não são beneficiados com a coleta regular de lixo em suas ruas.