22 de junho de 2005

Reajuste das tarifas de ônibus provoca onda de protestos

O reajuste médio de 8,8% no valor das tarifas do transporte coletivo municipal, que entrou em vigor no dia 29 de junho por determinação da Prefeitura , com base numa decisão judicial, provocou uma onda de protestos sem precedentes pelas ruas de Florianópolis, superando aquela registrada em meados do ano passado. Repetindo o ocorrido em 2004, no primeiro dia útil de vigência do novo aumento, os estudantes saíram em massa às ruas para protestar e pedir a revogação do reajuste, bloqueando o terminal central da capital. Só que ao contrário do ano passado, desta vez os manifestantes enfrentaram uma reação mais enérgica por parte da Polícia Militar. A Prefeitura, por sua vez, inicialmente se limitou a argumentar que o aumento seria fruto de uma decisão judicial, alegação essa que acabou caindo por terra após o Poder Judiciário emitir nota oficial revelando que à ela caberia apenas avaliar se a majoração era tecnicamente justificada. As manifestações prosseguiram e começaram a tomar contornos mais graves a partir da terça-feira, dia 31, quando os policiais passaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo e atirar com balas de borracha contra os estudantes, deixando diversos deles feridos. Na quinta-feira, uma infeliz entrevista do prefeito Dário Berger publicada num jornal local, na qual disse entre outras coisas que “não sou bocó” e “ninguém vai fazer xixi na minha perna e rir da minha cara”, acirrou ainda mais os ânimos dos manifestantes. Nesse dia, o movimento atingiu seu ápice, com uma grande manifestação no final da tarde no centro da cidade, nas imediações da Ponte Pedro, que culminou com a prisão de mais de uma dezenas de estudantes e cenas de vandalismo pelas ruas centrais da cidade, inclusive um princípio de incêndio no prédio da antiga Câmara Municipal. Na sexta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil estadual (OAB/SC) voltou a intervir na questão, a exemplo de 2004, anunciando o encaminhamento de pedido de revogação do reajuste na Justiça, só que desta vez o solicitação acabou não sendo acatada. A Prefeitura manteve sua postura de não admitir a revogação do reajuste, contando com o final de semana para esfriar o movimento. Só que o movimento não arrefeceu e na quinta-feira, dia 9, foi realizanda mais uma grande manifestação pelas ruas do centro da cidade, que iniciou de forma pacífica, mas novamente terminou em confronto. (Foto Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)