Uma nova onda de roubos à mão armada vem provocando um verdadeiro clima de terror no Campeche e região, principalmente entre os comerciantes. Registros de assaltos praticados por jovens em motocicletas já viraram rotina na região, desafiando a polícia, provocando prejuízos e um sentimento de revolta e medo entre a população local. Esse tipo de ação criminosa culminou na primeira quinzena deste mês com o assassinato de um jovem de 28 anos que trabalhava no posto de combustíveis Galo, no Trevo do Rio Tavares, morto por assaltantes durante a madrugada. No dia 2 deste mês, um dos alvos foi a Confraria da Pizza, localizada na Avenida Pequeno Príncipe, nas imediações do Trevo do Campeche. Por volta das 23 horas, conta o proprietário Eduardo Genioli, dois assaltantes em motocicletas entraram no pátio do estabelecimento e anunciaram o assalto. “Os dois estavam com capacetes e um deles ficou na moto esperando, com ela ligada”, recordou ele. Menos de 30 minutos depois, provavelmente os mesmos assaltantes atacaram a lanchonete Mordog, localizada a menos de dois quilômetros da pizzaria. Segundo o proprietário do estabelecimento, Joiro Peixoto, a ação foi similiar, com um dos assaltantes esperando com a moto ligada, enquanto o outro rendia os funcionários com uma pistola 38 e efetuava o roubo. “Era uma moto vermelha, sem carenagem e o cara tava com um capacete preto antigo, daqueles Induma”, recordou o dono da lanchonete, acrescentando que já fora assaltado da mesma forma em maio passado. O estabelecimento, que funciona há um ano e sete meses na região, também já sofreu dois arrombamentos. Desiludido, o comerciante revela que botou à venda a lanchonete e planeja se mudar de Florianópolis. “Já tava pensando em ir morar na Bahia e depois dessa situação toda acho que chegou a hora de ir embora mesmo”. Joiro conta ainda que na segunda quinzena de junho, o funcionário que faz entregas para a lanchonete também foi assaltado e teve sua moto roubada por assaltantes. Assaltos a funcionários que fazem serviço de tele-entrega, aliás, parecem também ter virado rotina. Várias pizzarias da região já sofreram ações desse tipo, entre elas as pizzarias Bem Vindo e Estrela. No dia 4 deste mês, a vítima foi uma funcionária da Farmácia Lothfar, surpreendida pelos assaltantes quando fazia uma suposta entrega de medicamentos numa travessa da Avenida Campeche. “Era por volta das 22 horas e uma pessoa ligou dizendo que estava com problemas de garganta, parecia educada e não desconfiamos de nada; quando ela chegou lá para fazer a entrega foi rendida por dois caras armados e teve sua moto e capacete roubados”, conta o proprietário da farmácia, Adilson Loth. Revoltado com a situação, após ser avisado pela funcionária, Loth resolveu por conta própria vasculhar a região atrás dos assaltantes, numa atitude não recomendada pela polícia. Depois de ser avisada por parentes do comerciante, a Polícia Militar ofereceu apoio nas buscas, mas a motocicleta não foi localizada. Conforme Loth, três dias depois, o veículo teria sido localizado e apreendido por policiais no Trevo do Campeche, bastante avariada. “Só que como ela faz parte do inquérito, está retida na 1ª Delegacia de Polícia do Centro e a funcionária não está podendo trabalhar”, lamenta. Por causa do clima de insegurança gerado pelos sucessivos assaltos, o dono da Lothfar revela que está adotando medidas preventivas para preservar o estabelecimento e a própria integridade dos funcionários. “Agora tem dias que estamos fechando bem mais cedo, às 20h30, e em outros fechamos as portas e passamos a atender só pela janelinha, abrindo a portas apenas para clientes conhecidos”, conta. Loth reclama da ação da Polícia Militar na repressão à criminalidade na região. “Hoje (14/07), os policiais passaram aqui às 19 horas e pediram pra gente assinar um documento confirmando a sua passagem, mas isso é muito pouco, precisamos ter rondas ostensivas”, assinala. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
27 de julho de 2005
