O serralheiro Fabiano Linhares, de 25 anos, começou nas drogas ainda aos 15, fumando maconha com colegas de escola. Cinco anos depois, passou à cocaína, mas foi aos 23 anos, quando experimentou o crack, que a situação fugiu ao controle,. “Foi ali que eu perdi tudo de uma vez, gastava todo o dinheiro, me isolei de amigos, família, namorada”, relata. Linhares conta que chegou a vender a motocicleta que possuía para sustentar a dependência. “Quando estava com a droga e fora daqui, achava que era o bom, era só uma fase, só que ela não passava nunca, só trazia dor e sofrimento para as pessoas que gostavam de mim”, admite. Fabiano está há três meses na Bom Pastor e diz que já consegue enxergar uma luz no fim do túnel. “A realidade é outra agora”, afirma. Mesmo com todo o apoio que recebeu, ele, que se internou por vontade própria, garante que a força de vontade é o elemento fundamental para a recuperação. O estresse e o nervosismo com a ausência da droga são grandes. A diferença de estar na comunidade, explica, é ter ao lado pessoas que passaram pela mesma situação e dividem suas experiências. O interno garante que agora pensa com muito cuidado antes de tomar suas decisões e sonha com uma vida melhor. O padre Aílton Rocha diz que as drogas mais difíceis de trabalhar não são aquelas consideradas mais pesadas, como a cocaína, a heroína e o crack, “até porque os efeitos são muito imediatos e elas custam caro”. O problema mais sério, na avaliação do padre, continua sendo a dependência do álcool e a maconha. A primeira, por ser uma droga lícita, de fácil acesso. A segunda, por ter fama de ser leve. “É difícil convencer a pessoa porque ela acha que não tem nada demais”, pondera. A Bom Pastor, informa o padre, é mantida pelo voluntariado e com auxílio de doações, que têm diminuído bastante nos últimos tempos, principalmente por causa da queda no poder aquisitivo da população. Parte das despesas, revela ele, é custeada pelas próprias famílias dos internos. A entidade aceita doações de qualquer tipo, roupas e calçados, cestas básicas, material de higiene pessoal, de limpeza, móveis e utensílios domésticos, além de ajuda financeira. Maiores informações sobre o trabalho da comunidade podem ser obtidas pelo fone 226.8564. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
27 de julho de 2005
