Inaugurada há quase 200 anos e tombada como patrimônio histórico municipal e estadual, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lapa, no Ribeirão da Ilha, sofre com uma série de problemas estruturais que chegam a colocar em perigo a integridade física dos fiéis e visitantes. O teto e reboco correm risco de desabar, as infiltrações são constantes e a madeira está apodrecendo. Com o comprometimento da segurança, a Nossa Senhora da Lapa está a ponto de ser interditada. “Pretendo registrar queixa na Polícia Civil por falta de segurança”, afirma o coordenador do Conselho Administrativo e Econômico Paroquial (Caep), Zito Nerto Fraga, que administra a igreja. O padre Antônio Bartolomeu, que atua na paróquia há dois anos e meio, garante ainda que há constante dificuldade em tentar ao menos amenizar os problemas por se tratar de uma obra tombada pelo patrimônio. Mesmo que os recursos para a reforma fossem doados pela comunidade, a restauração teria que ser administrada pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). Nenhum remendo, por menor que seja, pode ser feito sem sua aprovação. “Recentemente, uma janela foi derrubada pelo vento e o coordenador do CAEP quis arrumar, só que o IPUF foi informado e imediatamente recolheu todos os pedaços”, afirma. “Até para colocar um compensado no lugar foi preciso muita conversa”. O padre lamenta a dificuldade em conseguir os recursos necessários, pois a paróquia já fez contato com diversos órgãos públicos e organizações não governamentais. Ele conta que o próprio prefeito da capital, Dário Berger, esteve no local e ficou impressionado com a precariedade atual da edificação. “A verdade é que ninguém tem o dinheiro e há outros locais nas mesmas condições”. Bartolomeu lembra que a Nossa Senhora da Lapa foi trazida pelos primeiros açorianos que vieram para Florianópolis. Levou 40 anos para ser construída e foi inaugurada em dois de fevereiro de 1806. É a matriz da paróquia, que reúne 19 comunidades do Sul da Ilha, e ainda recebe uma média de 100 fiéis durante as missas de domingo. “Ela é inclusive muito procurada para casamentos, mas a preocupação é grande”. Há perspectiva de mudança dessa situação com a liberação de uma verba de R$ 38 mil para as obras de restauração da cobertura da igreja, que está em análise no Conselho Estadual de Cultura. O IPUF pretende incluir um projeto de restauração da Nossa Senhora da Lapa na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Projeto de lei nesse sentido foi apresentado pelo instituto em março do ano passado. O IPUF pretende seguir a mesma estratégia utilizada para reformar a Igreja de Santo Antônio de Lisboa. Primeiro, seria feita a restauração da cobertura para eliminar a entrada da água de chuva. Isso permitiria reduzir a deterioração provocada pelas infiltrações enquanto é viabilizado o conserto no resto da estrutura. O projeto foi aprovado em junho de 2004, através do Fundo Estadual de Incentivo à Cultura (Feic). Nesse caso, o Estado é responsável por 80% do orçamento. O IPUF entraria com os outros 20%. Segundo a gerente de patrimônio do instituto, Susane Albers de Araújo, a contrapartida de R$ 9,5 mil do IPUF foi encaminhada. O que está faltando são os R$ 38 mil que correspondem à parte da Fundação Catarinense de Cultura (FCC). O gerente de projetos da FCC, Sinval Santos da Silveira, afirma que, como o projeto foi aprovado em 2004, é necessário que receba uma “reautorização” pelo Conselho para a liberação dos recursos. Com a aprovação do conselho, o projeto precisa ser homologado pelo Comitê Gestor de Cultura, formado pelo presidente da FCC, o diretor-geral e um representante do conselho. Na opinião de Zito, o projeto deveria ter caráter de urgência por causa das condições precárias da igreja. Além de resolver os problemas estruturais, a reforma serviria para revitalizar as atividades culturais da comunidade, Segundo o coordenador, os moradores do Ribeirão da Ilha têm uma grande vontade de comemorar os 200 anos de inauguração da igreja no ano que vem com as obras concluídas, o que aumenta a frustração com a demora na liberação dos recursos. A direção da paróquia está estudando outras alternativas para resolver o problema. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
6 de setembro de 2005
