6 de setembro de 2005

Ex-cabeleireiro descobre vocação religiosa

O pastor Sérgio Carlos dos Santos, de 35 anos, que atua no Campeche, conta que , antes de se envolver com o trabalho missionário, chegou a ser uma “ovelha desgarrada” na sua juventude, envolvido com drogas e roubos. Embora viesse de uma família evangélica, da Igreja Pentecostal Missão da Última Hora, ele conta que não seguiu a tradição e exerceu a profissão de barbeiro ao invés de entrar para o corpo missionário. Tudo isso mudou, garante o pastor, quando ele tinha 21 anos e sofria com as escolhas erradas que havia feito na vida. Foi quando teria começado efetivamente freqüentar a igreja da família. “Foi aí que descobri que a palavra de Deus tem poder e despertei para a paixão missionária”, afirma. Movido por esse despertar religioso, Sérgio Carlos passou a dedicar-se totalmente à Missão da Última Hora, tanto que completou o estágio obrigatório em cerca de oito meses, quando geralmente leva-se pelo menos entre um e dois anos. Nascido em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, sua primeira parada em Santa Catarina foi Araranguá. “Os pastores vão para as localidades determinadas pela igreja”, explica. Há três meses ele assumiu o comando do templo no Campeche, que já funcionava há mais de um ano. Atualmente, conta ele, realiza quatro cultos semanais, às terças, quintas, sábados e domingos. As cerimônias com maior participação do público são as dominicais, que contam com uma média de 35 a 40 pessoas de cada vez. Sérgio Carlos garante que o perfil das pessoas que vão aos cultos é o mais variado possível, em todos os aspectos. “Há cultos em que a presença das mulheres é maior que dos homens, mas em outros é o contrário”, explica. “Comparecem pessoas de todas as classes sociais, pois não olhamos a questão financeira e sim a necessidade espiritual da pessoa”. Ele faz questão de assegurar que a contribuição dos fiéis é espontânea, sem valores pré-definidos, e o dinheiro é usado para a manutenção da igreja. O pastor critica o que considera a exploração financeira da fé da população, feita por algumas pessoas que abrem templos da noite para o dia. “O apóstolo Pedro avisa na Bíblia sobre o surgimento de falsos profetas”. A missão também realizaria trabalho assistencial à população carente, caso da Campanha do Agasalho no inverno. “Nos envolvemos com a vida das pessoas da comunidade e procuramos aconselhar, mas com ênfase na vida espiritual”, diz. O clima dos cultos na Missão é semelhante ao de outras igrejas evangélicas, com cerimônias emocionais. Chegam a ser realizados rituais de cura, há casos de desmaios e até exorcismos. “Se a pessoa chega possuída pelo demônio, ela é libertada através da palavra”, comenta. Como outras igrejas evangélicas, a Missão da Última Hora não estabelece o celibato para os pastores. Sérgio Carlos é casado e tem duas filhas. Ele garante que não há problemas na convivência com outras igrejas. “Muitas pessoas que participam dos cultos são de outra fé”.