6 de setembro de 2005

Igreja católica não teme risco de perder fiéis

O movimento evangélico não costuma ser visto com bons olhos pela Igreja Católica, já que nasceu a partir de uma contestação das práticas adotadas pelo Vaticano. O padre Antônio Bartolomeu, da paróquia do Ribeirão da Ilha, admite que as correntes surgidas da Reforma Protestante tem aspectos positivos. “Elas até trazem muitas coisas boas e têm a nos ensinar também, já que eles se inspiram na Bíblia”, observa. No entanto, o padre reeafirma que igreja “verdadeira” é a católica, “pois é aquela fundada por Jesus Cristo e fundamentada no trabalho dos apóstolos, por isso ela é chamada de apostólica”.Padre Antônio faz questão de lembrar do grande respeito que o catolicismo ainda desfruta, “mesmo neste mundo ateu de hoje”. Nem todos os membros da Igreja Católica, no entanto, vêem a ascensão dos evangélicos como desafio à fé cristã. O padre Ailton Rocha, ex-pároco da Lagoa da Conceição e que se dedica atualmente a um projeto terapêutico de recuperação de dependentes químicos, acredita firmemente que o avanço dessas correntes seria “uma benção de Deus”. Para Rocha, o mais importante é que, de uma forma ou outra, a população está aprendendo sobre o Evangelho e convertendo-se a ele. “Eu sou bem liberal nesse sentido”, afirma. “O essencial é que as pessoas estão melhorando e mudando de vida”, acrescenta. O padre lembra que tem amizade com pastores e até trabalha com alguns evangélicos. “Um dos meus monitores é da Igreja do Sétimo Dia e me dou muito bom com ele”, assinala. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/Arquivo/JC)