6 de setembro de 2005

Lontra é recuperada e devolvida à natureza na Lagoa do Peri

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

Uma lontra pesando aproximadamente 13 quilos, apelidada de Otto, foi devolvida ao seu habitát natural na primeira quinzena de agosto, após quatro meses sob os cuidados do Projeto Lontra, na Lagoa do Peri. O coordenador do projeto, o oceanógrafo Oldemar Carvalho Júnior, ressalta que trata-se do primeiro caso de recuperação documentada de uma lontra no Brasil. “Criamos um protocolo de ação, com os medicamentos e doses aplicadas, alimentação por peso e freqüência, exames de sangue, fezes e tudo que envolveu o caso”, comentou.
O animal foi encontrado por moradores dentro de uma tubulação de esgoto pluvial, poluída por esgotos domésticos, no bairro do Rio Tavares. Conforme o oceanógrafo, os moradores avisaram o Ibama, que acionou o Projeto Lontra, a quem coube a tarefa de resgate do animal. Júnior conta que o animal chegou à base do projeto, em meados de abril, em condições precárias. Pesava apenas seis quilos, quando o normal é por volta de 15 quilos, tinha os olhos e a cauda bastante feridos, e as patas paralisadas, uma delas tomada pelos bernes.
A opção pela soltura do animal na Lagoa do Peri, após a recuperação, explica ele, se deu porque a região é considerada mais propícia à sua sobrevivência, já que necessita essencialmente de água doce para nadar, pedras para confecção da toca e peixes e crustáceos, que são a base de sua alimentação. Embora difíceis de avistar, já que são bastante arredias e ágeis, as lontras são animais comuns em várias regiões do estado. Na Ilha de Santa Catarina, são encontradas nas regiões de Naufragados, Lagoinha do Leste, Lagoa do Peri e Lagoa da Conceição.
O oceanógrafo conta que foi o idealizador do Projeto Lontra, surgido em 1986, mas interrompido por sete anos a partir de 1992, quando saiu do Brasil para fazer pós-graduação e doutorado. Retomado em 1999, o Projeto Lontra é mantido através da ajuda financeira de uma organização ecológica internacional, a Ecovolunteer Program. Atualmente, o projeto está envolvido com o problema da presença de lontras em tanques de piscicultura no Alto Vale do Itajaí. “Tem gente doidinha para matar a bichinha, achando que ela vai acabar com os peixes, o que não é verdade”, comentou o oceanógrafo.
(Foto: Denise Helfenstein/Ecoagência/Divulgação/JC)