6 de setembro de 2005

“Mercadores da fé” prejudicam imagem

Embora tenham algumas diferenças em termos de doutrina, as igrejas evangélicas normalmente tendem a evitar conflitos e clima de “competição” entre si pela conquista da preferência dos fiéis, tanto que contam com um conselho formado por representantes das diversas correntes em Florianópolis. Mesmo assim, há a preocupação de alertar os fiéis sobre os chamados “mercadores da fé”, pessoas com pouca ou nenhuma formação religiosa que abrem pequenos templos para aproveitar a isenção de tributos e faturar com a cobrança de dízimos (contribuição em dinheiro). Como os nomes das igrejas não têm uma vinculação legal obrigatória, explica o pastor Jesil, é fácil abrir uma casa com o nome “Assembléia de Deus” ou “Renascer em Cristo” sem ter qualquer ligação concreta com as idéias e representantes desses movimentos. “A mídia pode ser muito útil nesse sentido, quando ajuda a diferenciar as igrejas legítimas dos aproveitadores”, argumenta o pastor. Há ainda igrejas que trabalham para serem reconhecidas como evangélicas. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, assim como as Testemunhas de Jeová e Mórmons, não é considerada como parte desse movimento por alguns teólogos e chega a ser chamada de “seita” por aceitar outros escritos além do texto bíblico como base de sua doutrina, enquanto a maioria das correntes do gênero prega fidelidade total às escrituras. O pastor Elieser Vargas, da Igreja Adventista de Florianópolis, contesta essa idéia. “Nosso pensamento vem fundamentalmente da Bíblia”, garante. “Essa noção de que não somos evangélicos vem de uma parcela pequena do mundo religioso”. A Adventista tem forte presença na capital catarinense, com cerca de quatro mil fiéis, afirma o pastor.