A características do projeto de reconstrução da ala incendiada do Mercado Público implementada pela construtora contratada pela Prefeitura da capital através de carta-convite enfrenta resistências de diversas entidades. O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), seccional catarinense, Instituto do Patrimônio da União de Santa Catarina e a Gerência Regional do Patrimônio da União encaminharam no final de setembro solicitação de suspensão da restauração do prédio, alegando irregularidades no projeto. A solicitação de embargo foi encaminhada à Prefeitura Municipal, Ministério Público de Santa Catarina e autoridades federais. O principal argumento das entidades que questionam as obras de reconstrução é o desrespeito às características arquitetônicas do centenário prédio histórico, inaugurado em 1889. Dirigentes das entidades lembram que o Mercado Público da capital foi tombado como patrimônio histórico em 1984 e sua reconstrução exigiria uma série de cuidados técnicos, que não estariam sendo adotados na atual reconstrução. Especialistas do Iphan argumentam até que a área do mercado seria um “sítio arqueológico histórico”, e que o prédio estaria inserido na área de um denominado “Sítio Histórico Urbano de Florianópolis”, reconhecido pelo IPUF, sendo portanto protegida por lei. O presidente do IAB, Emerson Silva, por sua vez, entende que a recuperação do mercado público deve contemplar, em primeiro lugar, os aspectos físicos do prédio histórico. Porém, argumenta que devem ser respeitados também aspectos imateriais, que se caracterizariam pelo aproveitamento efetivo do espaço público de acordo com as aspirações da sociedade. O arquiteto elogia a agilidade da Prefeitura na reconstrução da parte incendiada, porém ressalva que isso não pode interferir na questão histórica. O Ministério Público informa que solicitou à Prefeitura a apresentação do projeto de restauração para análise e posterior decisão sobre um possível pedido de embargo da obra. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
12 de outubro de 2005
