Desastres naturais como o Furacão Catarina, que causou nove mortes, destruiu aproximadamente 400 casas e desabrigou milhares de pessoas em março do ano passado no Sul da Santa Catarina, tendem a tornar-se cada vez mais freqüentes e intensos no estado nos próximos anos. Isso pelo menos é o que revela um recente estudo desenvolvido pela Universidade de Melbourne, na Austrália, publicado na revista especializada Geophysical Research Letters. A instituição fez uma análise do fenômeno Catarina, ocorrido no estado, e concluiu que tratava-se de um ciclone extratropical, comum na região, mas que por força de condições climáticas anormais acabou transformando-se num furacão, felizmente de intensidade intermediária. O estudo aponta, no entanto, que o aumento gradual da temperatura terrestre e os conseqüentes desequilíbrios climáticos resultantes deste processo, tendem a provocar essas mudanças repentinas de clima mais freqüentes. Santa Catarina já está na região brasileira mais vulnerável a ação de ciclones, lembra o meteorologista Clóvis Corrêa, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o que tornaria esse risco ainda mais preocupante. O Brasil nunca havia registrado a ocorrência de um furacão antes da passagem do Catarina. A pesquisa não estabelece relação direta entre o chamado aquecimento global e o Catarina, mas indica que a poluição e o aumento da temperatura geral do planeta tendem a piorar os riscos de condições atípicas como essas se repetirem no futuro. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
17 de novembro de 2005
