Todo artista busca ser o mais especial e único possível e tornar tudo nele personalizado, desde a música até o vestuário e instrumentos. Essa é uma necessidade que a Lutheria Brazza Tecnologia Musical, que começou a funcionar há dois meses e meio às margens da Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, procura satisfazer. É a primeira empresa especializada na fabricação e restauração de guitarras, baixos e violões de Santa Catarina que trabalha com “custom shop”, ou seja, personalização de instrumentos, ajustados sob medida para cada cliente. Além disso, tem projeto para desenvolver uma marca completamente própria e original, a Solarez. O proprietário da empresa, Ricardo Amorim, acredita que não devem existir mais do que 10 lutherias (denominação desse tipo de atividade, de origem italiana) como a dele trabalhando em todo o Brasil. “A maioria do pessoal que trabalha nessa área são profissionais pontuais, que atuam de forma bem artesanal”, explica Amorim. A única outra empresa de porte semelhante no estado fica em Blumenau, mas trabalha com instrumentos mais simples e baratos e não lida com “custom shop”. Amorim, que é paulista, diz que não escolheu Santa Catarina por acaso, pois a atividade exige madeiras nobres e o estado tem um forte pólo madeireiro. Ele também lembra que a região conta com muitos marceneiros de qualidade. “É bem mais fácil treinar quem já está habituado a lidar com madeira”, esclarece. A empresa tem oito funcionários diretos, entre “luthiers” e técnicos. Devido à própria natureza artesanal e personalizada do trabalho, Amorim lembra que a proposta é trabalhar com qualidade e não atender numa grande escala industrial. Ainda assim, em apenas um mês e meio, sem divulgação, a Brazza realizou conserto, restauração e pintura em 60 instrumentos, fez cinco “custom shops” e fabricou 60 novos modelos com a marca Solarez. A diferença, segundo ele, é que o “custom shop” adapta o instrumento à encomenda do cliente. “Já tivemos um cliente que pediu guitarra em forma de espada, a gente faz de tudo”, garante Amorim. A Solarez é um projeto de marca própria que ainda está em desenvolvimento. Por enquanto, o design é feito a partir de modelos de marcas consagradas. Segundo o proprietário da empresa, em cerca de um ano a Brazza será capaz de produzir um instrumento totalmente original. “Esse é um processo muito complexo, tudo é muito matemático”, explica. O projeto é chegar a produzir 300 instrumentos da marca Solarez por mês, voltados basicamente para a exportação. “É assim que empresas semelhantes, como a Tagima, fazem”. (Texto: Alexandre Winck/Especial JC. Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
21 de dezembro de 2005
