O Sul da Ilha de Santa Catarina deve atrair nesta temporada aproximadamente 70 mil turistas, num aumento superior a 11% em relação à temporada passada, de acordo com projeção de hoteleiros da região. Esse número é projetado com base na expectativa de Florianópolis receber mais de 630 mil turistas nesta temporada, num aumento de 10% sobre o verão do ano passado, conforme estimativas da Santa Catarina Turismo (Santur). O Sul da Ilha tradicionalmente absorve entre 8% a 10%, o que já significaria em torno de 63 mil pessoas aproveitando as atrações da região. Contudo, em função de algumas variáveis que favoreceriam a região, hoteleiros acreditam que pela primeira vez o Sul deve absorver uma fatia maior do contingente que visita Florianópolis. O hoteleiroTalmir Duarte da Silva, dono de uma das pousadas mais tradicionais do Campeche e diretor da Associação da Brasileira de Hotéis (ABIH) nacional, é um dos que acredita num crescimento do turismo acima da média no Sul da Ilha. Segundo ele, entre os fatores que contribuiriam para essa expectativa estão a facilidade de acesso às praias da região, após a conclusão da Via Expressa Sul, e os próprios atrativos naturais dos balneários do Sul, que vêm ganhando ampla repercussão na mídia regional e até internacional. Recentemente, o Campeche foi citado em duas reportagens alta mente elogiosas publicadas pelos renomados jornais El País, da Espanha, e The Guardian, da Inglaterra. “Deve crescer muito o número de estrangeiros que visitam o Sul da Ilha, porque este tipo de turista costuma preferir áreas preservadas, de muita natureza, parques e praias quase intocadas”, avalia Duarte. “Aos estrangeiros não interessa aquele modelo americano de turismo, de balneários muito urbanizados e agitados, que predomina em outras regiões da Ilha”, acrescenta. O presidente da Associação de Pousadas de Florianópolis (Pousar), Jean Durieux, que é dono de pousada no Sul da Ilha, também confia na perspectiva da região registrar um crescimento acima da média da capital. “O Sul da Ilha tem tudo para superar a média de crescimento de Florianópolis”, assinala. Além do momento favorável na mídia e da própria maior facilidade de acesso às praias do Sul, o dirigente aponta ainda, paradoxalmente, como ponto favorável à região exatamente a menor dependência do turista estrangeiro, especialmente os argentinos. Como o turista predominante na região é o nacional, o Sul da Ilha seria menos afetado pelo declínio do número de visitantes argentinos, previsto para esta temporada, em função do câmbio desfavorável. Já o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Grande Florianópolis, Tarcísio Schmidt, é mais prudente quanto às perspectivas de expansão do turismo no Sul da Ilha. Segundo ele, o efeito de mídia favorável não teria uma repercussão tão rápida quanto acreditam hoteleiros do Sul da Ilha, já ampliando o número de turistas nesta temporada. “Esse tipo de coisa sempre favorece, mas não de forma assim tão imediata, o efeito aparece mais a médio e longo prazos”, sentencia. Para o presidente da Organização Não-Governamental FloripAmanhã, empresário Alaor Tissot, o Sul da Ilha tem tudo para se transformar no principal pólo turístico da capital, a médio prazo, desde que consiga evitar a repetição de modelos de ocupação de outras regiões da Ilha. “Como o Norte está saturado, o Sul da Ilha é a bola da vez, porque tem espaço para crescer; porém, precisa se planejar, para que tenha um turismo sustentado, e não ocorra o que aconteceu com Canasveiras, por exemplo, que avançou muito rápido sem planejamento e hoje está muito desvalorizada”. Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)
21 de dezembro de 2005
