Angelo Poletto Mendes/Redação JC
O que podem ter em comum um ator e diretor de cinema norte-americano, uma jornalista gaúcha especializada em meio-ambiente e aventura, um fotógrafo blumenauense especializado em fotografia artística e um cineasta ilhéu? Além de um indiscutível talento no exercício de suas profissões, todos escolheram o Campeche para morar. Depois de conhecerem boa parte do mundo, os quatro decidiram fincar raízes no bairro do Sul da Ilha, atraídos por diversos fatores, que vão além de suas belezas naturais.
O fotógrafo Paulo Greuel, 52, garante que foi “contaminado” por uma espécie de energia, que denomina de “magia campecheana”. Depois de morar por 22 anos na Alemanha, desembarcou com malas e bagagem no Brasil para fixar residência no Campeche em 2002. “Estive aqui em Florianópolis em 1996 visitando meu irmão e fiz um passeio na praia do Campeche. Gostei tanto que pensei comigo que o dia em que voltasse a morar no país, seria no Campeche”, revela o fotógrafo, nascido em Blumenau, no Vale do Itajaí.
Consagrado no meio artístico, com obras espalhadas por galerias, museus e acervos de grandes colecionadores de várias partes do mundo, Greuel diz que o Campeche tem uma conjunção de fatores que favorece o desenvolvimento de seu trabalho, que envolve muita sensibilidade. “O Campeche me dá a sensação de bem estar necessária e a inspiração para poder produzir”, comenta o artista, que recentemente promoveu uma exposição denominada “Sonho Tropical, produzida toda ela com elementos “campecheanos”. A exposição percorreu o Brasil e boa parte do mundo.
O ator, diretor de cinema e escritor O’Neal Compton, 54, também foi seduzido pela “magia campecheana”. Natural do estado de Carolina do Sul (EUA), o ator que já estrelou mais de uma dezena de filmes, entre eles Diabolique (com Sharon Stone), Impacto Profundo, Nixon e Nell, conheceu o Campeche em 2003, durante um passeio de quatro meses pela capital catarinense. “Um amigo meu de Nova Iorque me falou de Floripa, vim para cá e conheci o Campeche meio por acaso, através de uma amiga daqui”, contou.
Depois desse “acaso do destino”, menos de um ano depois Compton estava morando no Campeche. “Voltei a Nova Iorque para fechar meu apartamento e retornei para cá em agosto de 2004”, comenta o norte-americano, que desde então reside no bairro. Compton explica que a sua saída dos Estados Unidos se deveu à discordância dos rumos do país sob o comando do polêmico presidente George W.Bush. “Não gosto do Bush, detesto os EUA agora”, assinala. Quanto à opção pelo Campeche, o motivo é simples: “a natureza aqui é mais bonita, gosto de tudo. O Sul da Ilha é mais natural”.
Os motivos que trouxeram para o Campeche a jornalista Valéria Lages, 34, que escreve para revistas renomadas como National Geografhic e Terra, entre outras, foram um pouco mais pragmáticos. Além das belezas naturais, da praia preservada e águas límpidas, que costumam impressionar os visitantes, pesou na decisão da jornalista de fixar residência na região também a proximidade do centro da cidade e do aeroporto, seu destino freqüente em busca de reportagens especiais.
Ex-repórter do suplemento cultural do jornal joinvilense A Notícia, Valéria conta que chegou a Florianópolis em 1995 e, como a maioria dos que chegam para trabalhar na Ilha, foi morar num bairro mais central. “Morava na Trindade até conhecer melhor a Ilha e escolher o Campeche para fixar residência”, comenta. A jornalista revela, no entanto, alguma preocupação com o futuro do Campeche e região. “Tem me chamado a atenção a rapidez do avanço imobiliário, muitos prédios agressivos surgindo na paisagem do Campeche”. (Foto: Divulgação/JC)
