10 de fevereiro de 2006

Sul da Ilha tem praias mais limpas de Florianópolis

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

A análise da balneabilidade das praias do litoral catarinense, realizada semanalmente pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) durante toda a temporada de verão, com o objetivo de verificar a qualidade da água usada pelos banhistas, comprova mais uma vez que o Sul da Ilha tem as praias mais limpas da capital. Enquanto o Norte da Ilha, destino mais procurado pelos turistas, tem cinco pontos que aparecem constantemente como impróprios para banho e vários outros oscilam, o sul tem mostrado problemas freqüentes apenas na foz do Rio Sangradouro, na Armação do Pântano do Sul, no bairro José Mendes, próximo ao Saco dos Limões, e variação entre períodos bons e ruins no Ribeirão da Ilha.
“O Campeche, por exemplo, é uma área bem tranqüila nesse sentido”, garante a gerente de Análise de Qualidade Ambiental da Fatma, Eliana Andrade. Ela lembra que o trabalho de análise da qualidade da água é fundamental para a conscientização dos turistas sobre os riscos para a saúde. Quem tomar banho em águas impróprias corre risco de apresentar problemas de pele, como micoses. O maior perigo está na presença das crianças, que muitas vezes ingerem a água contaminada e podem vir a sofrer problemas gastrointestinais, como gastroenterite, verminoses, hepatite do tipo A e até leptospirose e cólera. No verão passado houve um surto de hepatite entre pessoas que se banharam na Lagoa do Jacaré, no Balneário Rincão, Sul do Estado.
Entre novembro e março, a Fatma realiza uma análise semanal de 182 pontos distribuídos pelo litoral catarinense em 27 municípios. Essa verificação é mensal durante o resto do ano. Uma amostra da água é colocada num frasco esterilizado, conservado numa caixa térmica e colocado depois em um meio de cultura com o produto químico fluorocult, que facilita o desenvolvimento das bactérias. Ela é distribuída em 15 tubos de ensaio divididos em três fileiras e fica em encubadora por 24 horas a uma temperatura de 35 graus. Se as bactérias estiverem presentes, a amostra ficará com um tom de azul fluorescente. Se todas as três fileiras mostrarem contaminação, o ponto é considerado impróprio.
Eliana garante que a população tem se tornado mais consciente e informada sobre a questão da balneabilidade. “Sempre que vamos a campo, as pessoas mostram interesse e perguntam como o trabalho é feito, como estão as praias”, explica. Ela lamenta, no entanto, que nos últimos três anos a média de pontos considerados inadequados no litoral tem se mantido com pouca variação, prova de que o hábito de jogar esgoto doméstico no mar, rios e lagoas não diminuiu. “É preciso haver mais investimento em saneamento básico por parte do poder público, pois isso seria a solução desse problema”. (Foto: Luís Prates/Mafalda Press/Divulgação/JC)