21 de março de 2006

Estudo admite população de até 250 mil na Planície Entremares

Com tanta discussão em torno do Plano Diretor da Planície Entremares, que abrange o Campeche, o geógrafo licenciado e agrimensor Adilson Moreira, resolveu dar suas próprias sugestões para o debate. Ele elaborou um plano alternativo da região como projeto de conclusão para o seu bacharelado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), levando tanto em consideração as propostas da comunidade quanto as do IPUF para tentar chegar a uma proposta consensual. Ele pretende transformar o plano num projeto de mestrado, denominado “Contribuições para projeto de plano diretor da Planície Entremares”, para fazer incursões a campo e poder efetivamente apresentá-lo a sociedade como uma opção. Segundo Moreira, a proposta original do IPUF superdimensionou a população que a Planície Entremares poderá abrigar nos próximos 30 anos, ou seja, 450 mil pessoas. “Isso é mais que toda Florianópolis na atualidade, que tem 340 mil pessoas”, afirma. O geógrafo considera, no entanto, que o plano elaborado pela comunidade local, por outro lado, vai ao extremo oposto e subdimensiona a população que a região terá. Segundo a proposta elaborada pelos representantes das entidades locais, a planície iria contar com apenas 100 mil habitantes, muito pouco diante das expectativas de crescimento demográfico e vinda das pessoas de fora. “Para isso, o Campeche teria que fechar as portas de vez para quem vem de outras cidades e isso não se pode fazer”, pondera o geógrafo. Por isso, ele chegou a um projeto intermediário, estimando cerca de 250 mil pessoas. “Isso é mais realista, um meio-termo entre a visão muito urbanista do IPUF e a perspectiva muito naturalista das lideranças comunitárias”. O geógrafo apresenta soluções próprias para alguns dos pontos mais polêmicos dos dois planos. Entre as principais, está a substituição da Via Parque, projetada inicialmente pelo IPUF, que seria estabelecida à beira das praias da região e provocou muitos protestos por invadir áreas com dunas e vegetação nativa. O plano de Adilson prevê a construção de ciclovias e calçadas para servir de delimitação entre a área urbana e as praias, incluindo acessos à faixa de areia e infra-estrutura mínima, como chuveiros, mantendo intacto o cordão de vegetação no centro da planície. “Com essa separação, não vai ser possível construir invadindo a praia”, reforça o geógrafo. Haveria ainda áreas verdes entre a praia e a ciclovia.