21 de março de 2006

Projeto integrado agrada líderes comunitários do Campeche

O anúncio da suspensão do processo de elaboração e discussão de planos diretores regionais e a elaboração de um projeto de plano diretor unificado para toda a capital catarinense foi bem recebido pelo movimento comunitário. O diretor da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam) e presidente da Associação de Surfe do Campeche (ASC), Ataíde Silva, considera positivo que o plano diretor seja discutido de forma integrada. Na opinião do dirigente, a elaboração de projetos “fatiados” por bairros teria sido uma estratégia usada pelo IPUF, ao longo de sucessivos governos municipais, para dividir as comunidades e, com isso, viabilizar a aprovação de um projeto concebido dentro dos gabinetes do órgão municipal. “Eles sabiam que, se não conseguissem a aprovação em uma localidade, teriam sucesso na outra”, argumenta Ataíde. Mesmo assim, teme o dirigente, no que tange aos pleitos da comunidade do Campeche e região, a discussão estaria ameaçada de dividir novamente a comunidade, pois o instituto teria convidado representantes de apenas uma entidade local para as conversas sobre o novo plano. “Mais de 20 entidades do Campeche participaram da luta por um projeto em favor da sociedade, então cada uma precisa ter o seu representante”, defende Ataíde. Já o presidente da Amocam, Adir Plácido Vigânigo, comemora a nova situação, porque acredita que os pleitos das comunidades terão mais força. “O plano é necessário, porque sem ele as regiões da capital estão crescendo sem organização, mas é preciso pensar no todo”, reforça Adir. O presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis, Marcílio Ávila (PSDB), no entanto, se disse surpreso com a informação do presidente do IPUF, Carlos Farias, de que o plano só precisaria ser aprovado no próximo ano. Segundo ele, o prazo de 10 anos previsto no estatuto se refere à aprovação do plano, não à sua conclusão. Ávila lembra que, depois de elaborado, o projeto de plano diretor precisa ainda passar por uma extensa discussão com a comunidade através de audiências públicas para então ir a plenário na Câmara. “Não podemos ter apenas dois ou três meses para conversar sobre isso com a população”, alega. Ávila, que no ano foi o mentor de uma tentativa de aprovação rápida do plano diretor da Planície Entremares na Câmara, admite que a forte manifestação da comunidade foi a razão pela qual o plano diretor original do IPUF para a região acabou engavetado. “Não se pode aprovar algo que vai contra o desejo da sociedade”, reconhece. Nesse aspecto, Carlos Osvaldo está de acordo com Ávila. O diretor-presidente do IPUF garante que os técnicos estão trabalhando na elaboração de um plano consensual, que atenda tanto às propostas do instituto quanto à vontade manifestada pela sociedade. (Foto: Luís Prates/Divulgação/Arquivo/JC)