A edificação da policlínica do Rio Tavares é questionada por dirigentes comunitários e lideranças políticas de oposição. O presidente da Amocam (Associação dos Moradores do Campeche), Adir Vigânigo, ressalva que não é contrário à construção do empreendimento, mas considera que o governo municipal deveria dar atenção prioritária aos postos de saúde dos bairros, que respondem pelo atendimento primário às populações locais. “A policlínica deveria servir como complemento ao atendimento dos postos, com serviço de emergência para os casos que não podem ser resolvidos nos postos, opina. Vigânigo salienta que, enquanto o governo municipal investe na policlínica, os postos de saúde do Campeche e Morro das Pedras funcionam em condições precárias, em instalações acanhadas e enfrentando falta de medicamentos e até de pessoal. “O posto de Campeche hoje já é muito pequeno para as necessidades da população local. Muitas vezes, as pessoas tem que ficar na chuva para esperar atendimento”, comenta. Na segunda quinzena de maio, moradores do Morro das Pedras saíram em protesto pelas ruas do bairro e bloquearam a rodovia SC-405, reivindicando melhorias no posto de saúde local. Os vereadores oposicionistas Márcio de Souza (PT) e Ângela Albino (PcdoB) contestam a opção pelas policlínicas, que conceitualmente seriam voltadas aos atendimentos de alta complexidade, em detrimento dos postos de saúde. “Um governo com caixa limitado deveria priorizar os postos de saúde, e não grandes obras”, argumenta Albino. O secretário João Cândido vê equívocos na avaliação dos parlamentares. Segundo ele, o Conselho Nacional de Saúde teria elaborado recentemente um novo pacto de gestão onde os municípios passariam a responder também pelo atendimento nos setores de alta complexidade.
20 de junho de 2006
