28 de novembro de 2006

Capital deve receber 650 mil visitantes na temporada

A capital catarinense deve receber na temporada de verão 2006/2007, que começa na segunda quinzena de dezembro e se estende até depois do Carnaval, na segunda quinzena de fevereiro, aproximadamente 650 mil turistas. Isso pelo menos é o que projetam dirigentes da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), que prevêem um incremento de pelo menos 10% no número de visitantes em relação à temporada anterior, quando a capital atraiu 588,7 mil visitantes. Mantidas as atuais proporções na distribuição por região dos visitantes, o Sul da Ilha, que historicamente absorve entre 8% e 10% desse contingente, deve atrair até 65 mil turistas. O chefe do Departamento de Turismo da Setur, Helemar Paz, aposta, para isso, num expressivo incremento na visitação de argentinos. “A Argentina atingiu uma situação de equilíbrio financeiro depois de vários anos de crise, o que estimula o gasto com férias e veraneio”, projeta. Os empresários do setor turístico de Florianópolis, no entanto, são cautelosos em termos de projeções. A maioria acredita que a tendência é de no máximo repetir os números do verão passado. Na temporada anterior, os mais de 588 mil turistas que visitaram a capital geraram uma receita estimada em 167,8 milhões de dólares (cerca de R$ 385,9 milhões), segundo dados da Santur, órgão oficial de turismo estadual. Entre os hoteleiros, a expectativa é de manter os níveis de ocupação da última temporada, que foi em média de 66,75%, conforme levantamentos da Santur. A manutenção desse percentual já representaria um avanço, pois a taxa média, que foi de 73,81% em 2004, caiu nos últimos dois anos. O presidente da seccional catarinense da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, João Eduardo Amaral Moritz, diz que ainda não há uma projeção definitiva, mas os dados iniciais não entusiasmam. “Até o momento as reservas estão mais baixas que no mesmo período do ano passado”, informa. O proprietário do Hotel São Sebastião, no Campeche, Roberto Daniel de Souza Júnior, acredita que terá um movimento semelhante ao do verão passado. “Não espero um aumento, mas como temos um público fiel de empresas conveniadas, também não deve haver redução”, avalia. Projeta uma taxa de ocupação de 85% para o hotel. O proprietário do hotel e pousada Natur Campeche, Talmir Duarte, também espera uma repetição da temporada anterior, que em sua avaliação “não foi boa nem péssima, apenas regular”. As agências de viagem receptivas fazem projeções semelhantes. O proprietário da Itaguatur Turismo, Silézio dos Santos, diz que as primeiras estimativas não são animadoras, especialmente em relação aos turistas argentinos. “O grande problema está na diferença cambial, pois o dólar desvalorizado em relação ao real não é atraente para os argentinos”, analisa. Ainda assim, garante o empresário, existe expectativa em relação a esse público, pois a procura costuma se acentuar no início de dezembro. O proprietário da Fontanella Turismo, Norberto Fontanella, reforça que a procura de argentinos, uruguaios e chilenos está demorando mais a se manifestar, na comparação com a temporada anterior, mas ressalva que já houve anos piores. “A proporção de turistas do Uruguai e Argentina está caindo, mas o mercado chileno está investindo no Brasil”, observa. No verão passado, o movimento da capital foi, no entanto, predominantemente nacional, com 100,7 mil visitantes estrangeiros e 487,9 mil brasileiros. Moritz, da ABIH, pondera que mesmo em relação ao público nacional as perspectitvas não seriam muito alentadoras, porque a classe média brasileira teria tido seu poder de compra achatado. “O turismo na capital é predominantemente dessa faixa, a cidade recebe poucos visitantes de classe alta”, salienta. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)