Alexandre Winck/Especial/JC
A maçonaria é uma instituição conhecida pela discrição, que lhe confere uma aura de mistério, alimentando as mais variadas noções e teorias, reais ou fantasiosas. Os moradores do Campeche, no entanto, terão uma vista bem próxima da entidade com a construção de um complexo de grande porte, localizado na Avenida Pequeno Príncipe, no coração do maior balneário do Sul da Ilha, planejado para abrigar a nova sede da Grande Loja Maçônica de Santa Catarina.
A edificação, já em fase de construção, deve levar entre três a quatro anos para ficar pronta e abrigará um auditório com capacidade para 250 pessoas, administração, salas de apoio e templos, numa área construída total de 3,7 mil metros quadrados, em estilo arquitetônico neoclássico. Ao todo, o complexo está projeto para abrigar até 700 pessoas e deve custar em torno de R$ 3,2 milhões.
O grão-mestre da loja, Airton Edmundo Alves, afirma que tornou-se necessário erguer a edificação porque o número de participantes no estado cresceu muito nos últimos anos e a sede atual tornou-se pequena para as necessidades da instituição. O dirigente diz que a opção pelo Sul da Ilha decorre da Grande Loja ser proprietária do terreno, que soma 5,6 mil metros quadrados, há 30 anos. “Esperamos ter uma boa relação com a comunidade”, assinala.
O grão-mestre explica que os maçons catarinenses devem promover entre uma e duas reuniões anuais no local, além de atividades administrativas em tempo integral. Ele informa que há, no entanto, a possibilidade de outras aplicações, mas que ainda deverão ser decididas em assembléia. Entre elas, está a construção de bangalôs para abrigar membros em visita à capital, seja passando férias ou a negócios. Outra é de alugar o espaço durante os períodos vagos para eventos diversos, como a realização de casamentos ou festas da comunidade. Os rendimentos seriam aplicados na manutenção do complexo.
O dirigente acredita que será feito um esforço para que até abril do próximo ano toda a parte administrativa já esteja em operação. Calcula que pelo menos 10 a 15 pessoas trabalharão regularmente no local quando o complexo estiver em operação. O grão-mestre informa que os maçons em Santa Catarina somam hoje cerca de três mil. Somente em Florianópolis, a instituição tem 600 membros.
Na avaliação de Airton, as pessoas alimentam muitas idéias errôneas a respeito da maçonaria, até pelo fato dos participantes preferirem manter uma atitude de discrição, considerada necessária. “Essas fantasias são alimentadas pelas pessoas mal-informadas, menos esclarecidas”, analisa. Ele garante que a maçonaria é essencialmente uma instituição filosófica, que tem como objetivo fazer dos seus membros pessoas boas, que conhecem bem a si mesmas interiormente e servem de exemplo para o resto da sociedade.
A Grande Loja, de acordo com ele, promove diversas atividades comunitárias, principalmente em benefício dos menos favorecidos. “Apenas fazemos isso de uma forma discreta, não há grande segredo nem mistério”, afirma. Ele concorda, no entanto, que a antigüidade da instituição varia conforme a interpretação. “Há os que a consideram secular, outros dizem que é milenar”, diz. De uma forma ou outra, a instituição continua a despertar interesse, curiosidade e controvérsias e isso deve aumentar ainda mais com a edificação de sua nova sede no Sul da Ilha. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)
