A temporada de verão 2007/2008, que foi aguardada com grandes expectativas pelo setor turístico da capital e teve um início considerado promissor, acabou revelando-se uma grande decepção, segundo as principais lideranças empresariais locais. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Florianópolis (Shbrs), Emílio Estanislau Bresolin, as grandes “vedetes” do verão foram o pós-Natal e o Revèillon, quando a taxa de ocupação dos hotéis chegou a registrar um crescimento de 25% sobre o resultado da temporada anterior. Somente para o Reveillon, o movimento estimado foi de 500 mil visitantes na Ilha. Depois, o final de ano e a primeira semana de janeiro tiveram um aumento bem menor, da ordem de 3%, mas ainda considerado um bom desempenho. A surpresa desagradável contudo veio nas semanas seguintes, quando chegou a ser registrada uma queda acima dos 7% no movimento, na comparação com a temporada anterior. Na média, ele acredita que o desempenho turístico da Ilha será semelhante ou menor que o da temporada passada. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis catarinense (ABIH/SC), Luciano Schroeder, concorda e afirma que o verão “não foi nada do que se esperava e vai terminar abaixo do resultado anterior”. Menos cético, o hoteleiro Talmir Duarte, do Sul da Ilha, entende que a temporada não foi ruim, mas ficou abaixo das expectativas. Para ele, um fator que contribuiu muito para o movimento abaixo do esperado foi a divulgação excessiva da mídia local sobre potenciais problemas no abastecimento de água e energia, que não se confirmaram, mas tiveram repercussão em todo o país e até na Argentina. “As falhas no fornecimento de água e luz ocorreram, mas de forma isolada, longe do caos que estava sendo previsto”, pondera. Duarte também lamenta o calendário de 2008, no qual o Carnaval foi realizado no início de fevereiro, tornando esta a temporada mais curta dos últimos anos. Bresolin acredita que a chuva também teve papel importante no fraco desempenho da temporada, pois a Ilha teve mau tempo durante boa parte de janeiro e logo antes do Carnaval sofreu um dos maiores temporais dos últimos anos, que deixou cerca de 100 desabrigados. Outro fator que teria contribuído para reduzir o desempenho da temporada foi a desvalorização do dólar em comparação com o real, que tornou os preços do país pouco atrativos para os argentinos. Por causa disso, o turista do país vizinho teria gastado menos no litoral catarinense, concentrando suas despesas em hospedagem e refeições básicas. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)
27 de fevereiro de 2008
