15 de abril de 2008

Palácio da maçonaria no Campeche avança e provoca polêmica

Alexandre Winck/Especial JC

A aura de mistério que envolve a maçonaria desde tempos remotos, inspirando as mais diversas teorias sobre seus fundamentos, começa a instigar também a população do Campeche e região. Isso porque cresce a olhos vistos a impressionante edificação que vai abrigar a futura Grande Loja Maçônica de Santa Catarina, na avenida Pequeno Príncipe, no Campeche. O prédio, que no total terá nada menos do que 3,7 mil metros quadrados de área construída, já está com 60% das obras concluídas e a previsão é de que fique pronta em meados de 2010.
Em estilo neoclássico, abrigará um auditório com capacidade para 250 pessoas, administração, salas de apoio e templos. Ao todo, o complexo terá capacidade para abrigar até 700 pessoas e custará cerca de R$ 3,2 milhões. Muitos moradores e comerciantes da região temem que o gigantesco empreendimento não resulte em quaisquer benefícios para a comunidade, visto que a instituição tem tradição de ser fechada e reservada apenas para seus adeptos. Menos pragmáticos, os evangélicos acham que instalação de uma base maçônica na localidade pode trazer maus fluidos para a população da região.
Embora a maçonaria não se declare oficialmente como religião e aceite membros de diversas crenças, há os que defendem a incompatibilidade entre sua religiosidade e os ritos e doutrinas maçônicas, alguns até chegando a rotulá-las de “demoníacas”. O presidente do Conselho de Pastores da Grande Florianópolis, Paulo Renato Marques Souza, afirma que, embora haja pontos de vista diferentes sobre o assunto entre as diferentes correntes evangélicas, a postura de consenso no conselho é não aceitar que membros que professem a doutrina da igreja sejam também maçons.
Souza explica que a questão principal é a de incompatibilidade de posturas e doutrinas. Embora reconheça que há linhas diferentes dentro da maçonaria, ele considera contraditória a afirmação de que a instituição não constitui uma religião, pois englobaria todas as características essenciais, incluindo a existência de templos, rituais, sacerdotes, símbolos, código de conduta, dogmas que distinguem o sagrado do profano e, principalmente, que a entidade chama para si a responsabilidade de ser detentora do único e verdadeiro nome de Deus, que é chamado de “grande arquiteto do universo”.
Em relação ao movimento evangélico, o presidente do conselho de pastores da capital diz que a maçonaria parte do princípio que o ser humano é capaz, por esforço próprio, de ascender, se aproximar da perfeição e do “grande arquiteto”. “Para os evangélicos, a salvação só é possível através da graça divina e da aceitação de Jesus Cristo como seu salvador”, pondera o dirigente. Ele argumenta também que a instituição tende a colocar-se acima das crenças e doutrinas religiosas de seus participantes, o que tornaria incoerente um duplo comprometimento. Souza ressalva, contudo, que o conselho não apoia atitudes hostis dos evangélicos contra os maçons e que, quando esse tipo de comportamento ocorre, vem de uma minoria leiga sobre a doutrina das igrejas. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)