30 de maio de 2008

Chuvas e ciclone provocam novos estragos no Sul da Ilha

As fortes chuvas que castigaram a capital na segunda quinzena de abril, seguidas de um ciclone extra-tropical no início de maio, causaram grandes estragos no Sul da Ilha. Centenas de famílias da região foram atingidas, a maioria das ruas de chão batido ficou alagada e muitas residências chegaram a ser invadidas pelas águas. É o caso do bacharel em direito Lucélio Costa Gonçalves, morador da rua Manoel Rafael Inácio, que acordou em meio a água dentro de casa. Segundo ele, a rua tem uma vala assoreada que sai da Lagoa da Chica e, sempre que há chuvas fortes, ocorrem alagamentos e a água invade as casas. “Somente na minha já entrou água três vezes no meio da madrugada”, reclama. O bacharel conta que vive na rua há 15 anos e já naquela época a Prefeitura da capital falava num projeto de desassoreamento, que nunca saiu do papel. “Quando ocorre o caos, eles vêm e limpam, depois a vala fica cheia de capim de novo e vem outro temporal”, critica. “Às vezes os próprios moradores têm que abrir a vala no meio da noite”, reforça. Lucélio conta que a população tem medo inclusive de focos do mosquito da dengue. “Quando a Prefeitura tira terra da vala, joga para um lado que cria uma barreira e não deixa a água ir para a lagoa, aí fica empoçada”, afirma. A mestranda em Direito Júlia Moura conta que a situação também é séria na rua onde ela mora, a Emanuel Pedro Peluso. Nos dias de chuva intensa, a rua vira um verdadeirorio, por causa das grandes poças, a ponto de ficar impossível a travessia a pé..“Nos dias de chuva, as crianças nem vão à escola se não tiverem carro para levar e as pessoas que vão trabalhar saem com a roupa suja”, conta, revoltada. Conforme Júlia, a Prefeitura se limita a passar uma patrola volta e meia, joga terra e, assim que chove, alaga tudo de novo. A moradora relata ainda que já tentou pedir ajuda através de e-mails à prefeitura e Câmara de Vereadores de Florianópolis e obteve apenas respostas automáticas. “Estou pensando em fazer um abaixo-assinado junto aos outros moradores para ver se fazem alguma coisa”, assinala. Outra moradora da mesma rua, Geovana Michelli de Oliveira, diz que o problema na localidade teria se agravado no final do ano passado, com o início de uma obra de drenagem na região, que teria ficado inacabada e aumentado a intensidade dos alagamentos. Outras ruas que enfrentam problemas crônicos de alagamentos são Fidélis Govoni e José Elias Lopes, ambas no Jardim Castanheiras. Na segunda, a água chega a atingir quase um metro de altura, ficando intransitável. O pior é que o alagamento costuma persistir por vários dias depois do fim das chuvas, por conta da saturação do lençol freático e do entupimento da galeria de escoamento, que está inacabada. Para resolver o problema, a cada chuva forte a Prefeitura precisa intervir com o uso de bombas para retirar a água. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)