17 de julho de 2008

Abandono de animais vira drama sem fim na capital

Apesar dos esforços de ONGs, voluntários e da Coordenadoria do Bem-Estar Animal da Prefeitura da capital, que calcula já ter promovido a esterilização de 13 mil animais desde que foi criada, há três anos, o drama dos animais abandonados nas ruas parece não ter fim. No Campeche e Sul da Ilha, é comum se deparar com animais perambulando pelas ruas, às vezes em bando, a maioria subnutridos e feridos. Além de sofrerem com o frio, fome e maus tratos, os animais abandonados também acabam representando perigo à própria saúde pública. Na avaliação da coordenadoria, o grande desafio para tentar resolver o problema passa pela conscientização da população, porque haveria um nítido descompasso entre a capacidade do poder público de esterilização e o número de animais abandonados. Para cada 20 animais esterilizados por dia no município, se calcula que outros 20 ou 30 são abandonados pela cidade. A adoção irresponsável seria a principal causa do abandono. “Todo mundo quer o filhote bonitinho, mas quando ele cresce e começa a comer muito, fazer sujeira e barulho, simplesmente o descartam”, afirma a coordenadora de Bem Estar Animal. O viés mais triste do problema, contudo, são os casos de crueldade e maus-tratos contra animais. A coordenadoria costuma agir em casos pontuais, quando recebe denúncias (que devem ser acompanhadas de um boletim de ocorrência, que pode ser por meio de fax). Se o risco para o animal é constatado, se tenta oferecer atendimento veterinário e posteriormente encaminhar o animal para programas de adoção. A denúncia contra o praticante dos maus-tratos é encaminhada então para o Ministério Público. A coordenadoria não conta com abrigo porque isso acabaria incentivando ainda mais o abandono. O trabalho da entidade, que conta com um total de 18 funcionários, incluindo quatro veterinários, é essencialmente de combate à crueldade e incentivo à adoção. No caso de animais doentes, a coordenadoria vai ao local fazer o atendimento “Dessa maneira, fazemos centenas de adoções, pois às vezes a pessoa quer ficar com o bicho, mas não tem recursos para o tratamento e esterilização”, explica a coordenadora. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)