Angelo Poletto Mendes/Redação JC
Após quase 12 anos, dois filmes contando a história de sua vida e uma rodovia batizada com seu nome no Sul da Ilha, o manezinho Francisco Thomaz dos Santos, o Seu Chico, está próximo de assistir a justiça dos homens punir o possível culpado pela sua morte, ocorrida em setembro de 1996, na localidade de Sertão do Peri, no Sul da Ilha. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina acaba de negar, em decisão unânime, recurso da defesa de Mário Roberto de Souza, principal suspeito e acusado de matar Seu Chico, e a tendência é de que ele vá a júri popular pelo crime.
A defesa, contudo, ainda pode recorrer.
Dono de um dos últimos engenhos de cachaça na Ilha de Santa Catarina, Seu Chico, então com 64 anos, foi morto com um tiro nas costas, conforme laudos legistas, seguido de golpes de facão. O corpo teria sido então arrastado para um engenho de açúcar, onde ainda recebeu mais um tiro de cabeça, de acordo com as informações públicas do processo. O corpo teria sido escondido, por fim, embaixo de um cocho de fermentação de cana. O crime teve grande repercussão na época e chegou a ganhar reconstituição cênica em 1998, no programa Linha Direta, da Rede Globo.
O motivo do crime ainda é desconhecido. Familiares de Seu Chico, revelaram, contudo, em entrevista concedida ao Jornal do Campeche, no ano de 2000, que poderia ter sido em conseqüência de uma briga que ocorrera alguns dias antes, durante as comemorações pela chegada da luz elétrica ao local. Outra hipótese seria a descoberta, por parte de Seu Chico, de uma carga de maconha escondida na região. A vítima produzia cachaça desde 1948, quando herdou o alambique do pai.
