O imenso volume de pesca da tainha que se pratica no litoral catarinense, em especial nas praias da Ilha, representa um perigo potencial para a preservação da espécie. A supercaptura do pescado em determinados períodos, como aconteceu no ano passado, desvaloriza o produto do ponto de vista financeiro e reduz a população da espécie, comprometendo a sobrevivência da atividade da pesca artesanal. A tese é do professor de Ictiologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Sérgio Floeter. “É perigoso do ponto de vista ambiental capturar tantas tainhas, principalmente as com ovas, durante o período de reprodução da espécie”, avalia, acrescentando que a conseqüência do ponto de vista econômico é desvalorização do produto no mercado. “A relação custo-benefício para os pescadores não é boa, se fizessem um sistema de cotas de captura, o preço não cairia tanto e se ganharia a mesma coisa com menos trabalho”, analisa o professor. Além disso, o grande volume pescado num ano de boa safra, sem controle, pode vir a comprometer as pescas futuras, assinala Floeter. A tainha que se pesca no Sul do Brasil pretence à espécie Mugil Liza, que faz parte da família Mugilidae. O peixe cria-se em água doce, sua desova ocorre em alto-mar e costuma formar grandes cardumes, principalmente durante a migração reprodutiva. A pesca é feita em Santa Catarina somente durante os meses de maio, junho e julho. O tamanho pode chegar a 80 centímetros e o maior peso registrado é de nove quilos. A tainha alimenta-se basicamente de algas e vive em média cerca de quatro anos.
17 de julho de 2008
