17 de julho de 2008

Safra da tainha decepciona pescadores da capital

Depois de uma safra exuberante no ano passado, que atingiu 2,2 mil toneladas no litoral catarinense, a safra da tainha de 2008 termina com ares de decepção para a maioria dos pescadores da capital, especialmente no Sul da Ilha de Santa Catarina. O experiente pescador Aparício Inácio, ex-presidente da Associação da Pesca Artesanal do Campeche e dono de uma das três redes que atuam oficialmente no balneário, revela que até à primeira semana de julho pescara apenas 80 peixes, equivalente a 1% do que volume pescado em sua rede no ano passado, que chegou a oito mil unidades Apesar desse desempenho pífio, Aparício revela que sua equipe permanece a postos à espera de algum milagre de fim de safra, para compensar a decepção. As outras duas redes que atuam no Campeche, contudo, teriam sido aquinhoadas com melhor sorte: 5,5 mil tainhas numa e 2,5 mil unidades na outra, até à primeira semana de julho. O lance mais significativo da safra deste ano no Campeche aconteceu na rede de Seu Chico, com a captura de 1,6 mil tainhas em meados de junho. O comerciante Arante Monteiro Filho, o “Arantinho”, dono de rede no Pântano do Sul, admite que a safra deste ano foi muito ruim, mas não considera o resultado o pior dos últimos anos. “Já tivemos safras piores, a tainha sempre acaba aparecendo”, avalia. Arantinho acredita que neste ano o peixe seguiu um caminho diferente durante a sua migração reprodutiva e apareceu em maior quantidade no norte do Estado. “Em Bombas e Bombinhas estão pegando muitas tainhas”, assinala. Monteiro acredita que a grande quantidade de peixes capturados na região, em especial na última supersafra, em 2007, possa ser uma das causas para o baixo desempenho deste ano e pode até contribuir para o enfraquecimento da pesca no futuro. “Há muitas verdades e mentiras sobre a tainha, o que se estuda sobre o assunto não é muito divulgado”, analisa. O presidente da Federação dos Pescadores do estado, Ivo da Silva, não crê que essa questão tenha influência sobre o resultado da safra deste ano. “Saíram muitos peixes da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, mas por causa da questão climática eles passaram direto e foram para alto-mar”, pondera. (Foto: Rubens Flores/Divulgação/JC)