O público do litoral sul do Brasil que aprecia o espetáculo do avistamento da baleia-franca poderá testemunhar neste ano uma temporada ainda mais impressionante do que a registrada no ano passado, quando foram avistadas no total 144 espécimes, no período entre julho a novembro. Só no primeiro mês da temporada, em julho, já foi registrado um recorde de aparições, com 56 espécimes avistadas entre o litoral sul catarinense e o Sul da Ilha de Santa Catarina, de acordo com informações de biólogos do Projeto Baleia-Franca. Somados os avistamentos verificados até o final da primeira quinzena de agosto, mais de 80 cetáceos já teriam sido detectados pelos observadores no mares do litoral sul catarinense. O Sul da Ilha, neste ano, está sendo contemplado neste ano com um grande número de visitantes, com registros de freqüentes aparições no Campeche, Morro das Pedras e Armação. Na primeira semana de agosto, uma baleia acompanhada por um filhote permaneceu por quase três dias seguidos brindando os observadores com evoluções espetaculares na praia do Morro das Pedras. Tão logo a notícia da presença dos cetáceos se espalha, pessoas e veículos costuam se deslocar para o local, munidos de binóculos, para apreciar o show dos grandes mamíferos marinhos. A presença crescente da baleia no litoral brasileiro é considerada uma grande vitória para o Projeto Baleia Franca, revela a bióloga Karina Groch. Isso porque o animal foi caçado de forma indiscriminada durante séculos. Em 1982, quando os pesquisadores começaram a iniciativa, a espécie havia quase desaparecido do litoral catarinense e sua extinção era iminente. Naquele ano, houve apenas dois avistamentos da baleia. Segundo Groch, a partir daí foi feito um grande trabalho de conscientização da população, principalmente dos pescadores, que permitiu a reprodução crescente até os dias de hoje. Contribuiu para isso a perda de valor comercial do animal, que era motivado em grande parte pela extração do óleo e gordura, usados para iluminação e na construção civil, como liga na argamassa. Diversas construções antigas da Ilha, incluindo edificações tombadas pelo patrimônio histórico, foram feitas com gordura de baleia. Mesmo assim, a Franca é a segunda espécie de baleia mais ameaçada de extinção, pois Japão e Noruega ainda praticam a caça, usando o argumento de uso para pesquisa científica, mas cujo verdadeiro motivo seria o consumo da carne. (Foto: Projeto Baleia Franca/Divulgação/JC)
28 de agosto de 2008
