16 de outubro de 2008

Aparecimento de baleias mortas na Ilha não impressiona biólogos

O surgimento de duas baleias mortas em praias da Ilha em setembro, uma no Campeche e outra na Praia Mole, no Leste da Ilha, deixou moradores e a população da capital com uma ‘pulga atrás da orelha’. Alguns aventaram até a possibilidade da Ilha estar se transformando num ‘cemitério’ de baleias. A bióloga Karina Groch, coordenadora do Projeto Baleia Franca, garante, no entanto, que trata-se de um fenômeno natural, decorrente do aumento da população de mamíferos na região. “A população de baleias-franca está crescendo, se percebe no dia-a-dia; assim como nascem, elas morrem; espera-se sempre que não haja encalhes, mas acontecem”, avalia. Em relação ao filhote que apareceu morto no Campeche, que tinha seis metros de comprimento, ela acredita que teria sido o mesmo que poucos dias antes fora salvo de redes de pesca na Armação, numa operação ousada executada por helicóptero pela Polícia Militar. “Esse filhote ficou debilitado e possivelmente não resistiu”, explica. Sobre a ocorrência na Praia Mole, ela acredita que o animal possa ter morrido em outra região do litoral, e levado pela maré, já que chegou à praia em adiantado estado de decomposição. Na temporada deste ano, de acordo com a bióloga, foram registradas quatro mortes de baleias no litoral Sul. Uma no estado gaúcho, uma em Jaguaruna e as outras duas na Ilha. “Isso é absolutamente normal, considerando a proporção de animais que visitam à região”, comenta. Em 2006, ano em que houve um recorde no avistamento de baleias no Sul do país, com 194 animais, foram registradas seis mortes. Neste ano, foram quatro mortes para um total de 156 animais avistados. Embora sejam animais longevos, que podem durar até 80 anos, as baleias-francas também são suscetíveis a problemas de saúde, inclusive enfartes. As principais causas dos óbitos registrados na região, contudo, têm sido o envolvimento em redes de pesca. “A única solução seria melhorar o manejo, para não ocorrer a pesca em áreas com baleias; assim como a baleia leva a rede e prejudica o pescador, as vezes a rede mata a baleia”, assinala. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)