Apesar da inegável importância da obra da rede de esgoto em implantação no Campeche e região, a sua implementação já começa a ser alvo de controvérsias. Dirigentes comunitários acusam a Companhia de Águas e Saneamento estadual (Casan) de estar desembolsando na obra valores abaixo daqueles estabelecidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), financiador do sistema de esgoto local. O presidente da Associação dos Moradores (Amocam) e membro da comissão de saneamento do Núcleo distrital do bairro, Ataíde Silva, alega que a empresa não estaria aplicando mais do que 1% do montante total da obra, orçada em R$ 28 milhões, quando a contrapartida exigida da companhia, conforme as diretrizes do PAC, seria de pelo menos 3%. Esses recursos que caberiam a Casan desembolsar, de acordo com Silva, deveriam ser injetados num programa de política e educação ambiental, uma espécie de trabalho paralelo à execução das obras civis, que tem o intuito de otimizar o aproveitamento da futura rede de esgoto. O gerente de Projetos da Casan, Fábio Krieger, nega, contudo, que a empresa esteja aplicando recursos abaixo do previsto no sistema. Conforme ele, o Programa de Educação Sanitária do Ministério das Cidades prevê a destinação de 1% a 3% do valor total da obra e os recursos devem vir integralmente do caixa da companhia. Ele garante que a Casan está aplicando 1,4%, ou cerca de R$ 350 mil. “Isso é suficiente para realizar o programa e está dentro da realidade do caixa da empresa”, assinala. Os representantes da comunidade mantiveram audiência com a empresa na segunda quinzena de setembro, no Campeche, mas segundo Ataíde foi feita apenas uma apresentação verbal do projeto, com objetivo de mostrar que o projeto está dentro das leis e normas ambientais, mas faltou uma exposição “data show”, que mostrasse efetivamente os equipamentos e plantas do sistema. “Fizemos uma carta de repúdio e solicitamos outra audiência, com a apresentação dos equipamentos e a presença da Secretaria Municipal de Habitação e Saneamento”, afirma. Enquanto isso, os trabalhos de terraplanagem para construção da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) do Campeche encontram-se parados, aguardando autorização da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Floram) para o corte de árvores e vegetação baixa na área da edificação. Krieger acredita que até meados de outubro a permissão será concedida e será possível iniciar os trabalhos de terraplanagem no local. O dirigente assegura que as obras estão dentro do cronograma. A previsão da Casan é construir a edificação em cerca de dois anos e meio. Já foram colocados 1,8 mil metros da rede coletora de esgoto do bairro. (Foto: Luís Prates/Divulgação/Arquivo/JC)
16 de outubro de 2008
