A Prefeitura da capital promoveu, no final de setembro, a demolição do polêmico portão azul que segmentava a Servidão Jorge José Braz, no Campeche, em duas partes, numa espécie de apartheid residencial; parte da rua, com 66 metros de extensão, de uso público, e outros 154 metros de uso privativo, restrito a moradores do denominado Condomínio Paraíso do Campeche. A mobilização dos moradores contra o condomínio se arrastava há vários anos, sendo que a derrubada do portão foi perpetrada com base numa liminar obtida contra o condomínio. Em março do ano passado, moradores promoveram manifestação pela retirada do portão. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam) Ataíde da Silva, afirma que o local até então privativo sempre foi um logradouro público, se caracterizando inclusive com antigo caminho histórico. “Estavam tirando o direito de ir e vir das pessoas”, argumenta. Conforme ele, a liminar resultou das ações civis individuais e da ação coletiva encaminhados pelos moradores da servidão junto à Procuradoria do Município. O advogado que representa os moradores do condomínio Paraíso do Campeche, Aparecido Pereira de Jesus, afirma que a demolição foi contrária ao que vinha sendo decidido pelo Juiz da Vara de Fazenda e informa que entrou com uma medida cautelar exigindo que a Prefeitura refaça o muro e portão. O advogado informou que entrará ainda com recurso de apelação contra a cassação da liminar que permitia a permanência dessas edificações. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)
16 de outubro de 2008
