3 de dezembro de 2008

Destino ecológico para lixo eletrônico gera renda no Sul

A demanda cada vez maior por equipamentos eletrônicos traz junto uma conseqüência perigosa para o meio ambiente e saúde da população, o chamado lixo eletroeletrônico, o chamado “e-lixo”, que hoje soma 50 milhões de toneladas por ano, segundo projeção da organização ambientalista Greenpeace. Esse tipo de resíduo é ainda mais perigoso que o convencional, por conter metais pesados como chumbo e mercúrio, que podem prejudicar a visão, debilitar as funções cerebrais e até causar coma. Uma alternativa criada no Sul da Ilha para descartar essa sucata de forma ambientalmente correta é o Centro de Reciclagem e Resíduos Eletroeletrônicos (Cereel), localizado no Rio Tavares. O proprietário do centro, Clóvis Caíres, que divide o negócio com a esposa Jandira, transformou num negócio de sucesso o recolhimento de todos os tipos de equipamentos eletroeletrônicos para reutilização, como computadores, máquinas de lavar, DVD players, geladeiras e televisões, entre outros.. Funcionando há pouco mais de um ano, o Cereel recebe ao todo cerca de cinco toneladas desse tipo de aparelho por mês, num galpão com cerca de 500 metros quadrados. Clóvis conta que os equipamentos são desmontados e divididos em: metais ferrosos; não ferrosos, que incluem cobre e alumínio, entre outros; plásticos; e componentes com metais nobres, como placas-mãe de computadores, que levam silício. Os principais fornecedores são empresas e oficinas de manutenção de eletroeletrônicos. Se o aparelho pode ser reutilizado, os componentes são vendidos para siderúrgicas e empresas de recuperação de plásticos. “Até 94% das peças e materiais usados nesses equipamentos podem ser reaproveitados”, explica Clóvis. O proprietário do Cereel garante que só equipamentos de informática são encaminhados para São Paulo, o restante é comercializado dentro do Estado. Em Santa Catarina, existem apenas três centros semelhantes. Há cerca de seis meses, ele está desenvolvendo tecnologia para descontaminar tubos de imagem e separar fios de cobre. “A idéia é fazer o serviço completo e depois disseminar a tecnologia para outros centros”, assinala Clóvis. O reciclador espera ter a máquina pronta até o primeiro trimestre do ano que vem. Outras medidas estão sendo tomadas em todo o país para tentar minimizar o problema do “e-lixo”. Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 1991/07, que considera os fabricantes dos equipamentos responsáveis pela destinação correta do lixo eletroeletrônico. Alexandre Winck/Especial/JC. (Fotos: Luís Prates/Divulgação/JC)